Policiais que registraram atropelamento do filho de Cissa depõem por 3 horas e negam contato com PMs acusados de extorsão

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

A delegada Bárbara Lomba, titular da 15ª DP (Gávea, zona sul carioca) declarou na tarde de hoje (28) que os dois policiais militares que registraram a ocorrência do atropelamento de Rafael Mascarenhas, 18, na delegacia negaram contato direto com os dois outros PMs que abordaram o motorista Rafael Bussamra, 25, após o acidente que matou o filho da atriz Cissa Guimarães. Os policiais deixaram a delegacia da Gávea após cerca de três horas de depoimento e não tiveram seus nomes divulgados.

Marcello José Leal Martins e Marcelo de Souza Bigon são acusados de cometer extorsão para liberar o veículo de Bussamra. Ao ser questionada se não houve contato via rádio entre as duas equipes de policiais, a delegada hesitou. Disse apenas que não poderia divulgar o teor dos depoimentos.

Bárbara Lomba disse que os PMs informaram no depoimento de hoje que tomaram conhecimento da ocorrência por meio da central da Polícia Militar. 

Ainda de acordo com a delegada, o depoimento desses policiais foi “bom” e serviu para esclarecer detalhes sobre os acontecimentos daquela madrugada.

A delegada voltou a dizer que a investigação caminha para um possível indiciamento de Rafael Bussamra e o pai dele por corrupção ativa. Os policiais devem responder por corrupção passiva.

Polícia faz reconstituição do atropelamento

“Indiciamento, que é a conclusão para ver se há indícios de autoria, isso vai ser feito no final. Agora, há muitas informações significativas.”

Lomba elogiou a reconstituição do atropelamento de Mascarenhas, no túnel na Gávea, realizada na madrugada de ontem. “Foi bom porque a gente visualizou o local, já que não tínhamos visto o local como ele estava no dia, que era realmente interditado, sem movimento de veículos ali. A gente teve uma ideia um pouco melhor do que possa ter acontecido”

Entenda o caso
Rafael Mascarenhas, 18, filho da atriz Cissa Guimarães, andava de skate em um túnel da zona sul do Rio na madrugada de terça-feira (20), quando foi atropelado. Mascarenhas chegou a ser levado com vida para o Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos. O motorista Rafael Bussamra, 25, confessou que atropelou o rapaz ao trafegar por um trecho interditado do túnel, mas nega que estivesse fazendo "racha", como informaram dois outros jovens que acompanhavam o filho da atriz.

Spencer Levy, advogado de Rafael Bussamra, afirmou que seu cliente foi vítima de má conduta policial no episódio. De acordo com ele, na madrugada do atropelamento, Bussamra queria prestar socorro à vítima, mas foi abordado por dois policiais militares que o levaram à delegacia, impedindo que o socorro fosse fornecido.

Em seu depoimento, Bussamra disse que foi levado até a delegacia na Gávea, onde chamaram seu pai e impediram que o rapaz registrasse um boletim de ocorrência. Enquanto esperavam, os policiais colocaram o rapaz em um carro da PM, que deu voltas pelo Jardim Botânico. O "passeio" foi flagrado por uma câmera de segurança. Na volta à delegacia, os policiais teriam informado que o jovem atropelado passava bem.

Ainda no depoimento, Bussamra disse à polícia que os dois PMs falavam com um terceiro pelo rádio. Depois, ameaçaram "destruir" a vida dele se não pagasse uma quantia de R$ 10 mil. Desse valor, ele pagou R$ 1.000 e já tinha em mãos outros R$ 6.000 quando, na tarde seguinte, soube que a vítima era filho da atriz. Nesse momento, segundo o advogado, Bussamra recusou-se a prosseguir com o pagamento da propina.

O advogado negou ainda que Rafael estivesse fazendo um "racha" e disse que o túnel não possuía sinalização de interdição. Para ele, somente o resultado da perícia, que não está pronto, poderá comprovar que o veículo dirigido estava a mais de 100 km/h no túnel.

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