Alex de Jesus/ O Tempo/ AE

Caso Eliza Samudio

Sem colher digitais, Bruno e suspeitos deixam delegacia e voltam para presídio em MG

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

O goleiro Bruno Souza e mais sete suspeitos presos temporariamente por envolvimento no sumiço de Eliza Samudio deixaram o DI (Departamento de Investigações) de Belo Horizonte (MG) por volta das 14h30, após passarem por um procedimento denominado identificação criminal. Segundo o delegado Edson Moreira, que preside as investigações, o grupo preencheu um formulário com informações básicas, como endereço, profissão, salário e número de dependentes, num procedimento que também serve para finalizar o inquérito e preparar o indiciamento.

A assessoria da Polícia Civil informou que esse "levantamento da vida pregressa" do preso não inclui a coleta de digitais, como chegou a ser informado mais cedo. Porém, a advogada da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Cintia Ribeiro, que acompanha o caso, esteve por volta de 12h de hoje no DI para averiguar denúncia dos advogados de defesa de que a coleta de digitais dos suspeitos estava sendo feita na delegacia. Segundo ela, os defensores foram impedidos de entrar no DI para acompanhar o procedimento. "Como neste momento eles estão na condição de suspeitos, a identificação digital não é necessária", explicou. A advogada afirmou que irá fazer um relatório e vai entregar ao presidente da OAB de MG com a versão das duas partes.

Estiveram no DI hoje o goleiro Bruno, sua mulher Dayanne de Souza, os amigos dele Luiz Henrique Ferreira Romão (Macarrão), Wemerson de Souza (Coxinha) e Flavio Caetano de Araújo, o primo do jogador Sérgio Rosa Sales, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos (Bola) e o caseiro do sítio do goleiro, Elenilson Vitor da Silva.

O único suposto envolvido que não foi levado ao departamento foi o primo adolescente do goleiro. Por ser menor de idade, seu processo é diferente e corre separadamente ao dos demais envolvidos. Ele aguarda julgamento pelo Juizado da Criança e do Adolescente de Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte).

Os suspeitos voltaram para onde cumprem as prisões temporárias: Bruno, Macarrão, Bola, Flavio, Wemerson e Elenilson estãona penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana de BH; Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro, está preso na Ceresp (Centro de Remanejamento de Presos) São Cristóvão, e Dayanne está detida na penitenciária feminina Estevão Pinto, em Belo Horizonte.

Cabelo raspado
Nesta quinta-feira, Bruno e Macarrão apareceram com o cabelo raspado. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social, foram os próprios detentos que quiseram cortar o cabelo. O material foi queimado dentro da penitenciária, na presença dos presos, para que não fosse utilizado para exames de DNA. Os demais suspeitos presos temporariamente também já estão com os cabelos cortados.

Os envolvidos negam participação no sumiço de Eliza, que está desaparecida desde o início de junho. Ela lutava na Justiça para ter seu filho Bruninho, de 5 meses, reconhecido pelo goleiro Bruno.

O pai dela, Luiz Carlos Samudio, concedeu entrevista coletiva no Departamento de Investigações nesta manhã. Ele afirmou que o poder público do Rio de Janeiro possui tanta responsabilidade pela suposta morte de sua filha quanto aqueles que são apontados pela polícia como os autores do crime. Ele acusa o Estado de não ter dado proteção policial à Eliza em outubro do ano passado, após ela ter dito à polícia que o goleiro a agrediu, a obrigou a abortar o filho e a manteve em cárcere privado.

“Considero o Estado do Rio de Janeiro tão culpado quanto a turma do Bruno no desaparecimento de minha filho. Não foi aplicada a Lei Maria da Penha”, afirmou Luiz Carlos no Departamento de Investigação da Polícia Civil, em Belo Horizonte. O pai de Eliza promete processar o Estado e levar o caso à ONU (Organização das Nações Unidas) e à OEA (Organização dos Estados Americanos).

Já sobre o modo pelo qual as investigações vêm sido conduzidas em Minas Gerais, Luiz Carlos disse estar “totalmente satisfeito” e acredita que “a justiça será feita”. Questionado sobre a atuação da equipe de defesa de Bruno, o pai de Eliza afirmou que irá pedir à Justiça para que o advogado Ércio Quaresma seja incluído como co-autor do crime.

“A estratégia da defesa é feita por uma pessoa drogada, que vive no mundo da lua, e uma hora fala uma coisa, outra hora muda tudo. Inclusive ele fala que minha filha está viva, que vai ser intimada a depor. Se ele sabe que minha filha está viva, ele deve saber onde ela está. Automaticamente, eu vou pedir à Justiça para que ele seja arrolado no inquérito como co-autor”, disse.

O advogado do pai de Eliza, Sérgio Barros da Silva, disse que pretende processar também o Flamengo por considerar que o clube tem responsabilidade pelas ações de seus atletas. Ele defendeu que o clube deposite em juízo qualquer valor seria pago ao goleiro para cobrir futuras indenizações à família de Eliza.

Barros da Silva afirmou ainda que o delegado lhe disse que o inquérito deve ser concluído em breve e tem provas “robustas” contra os acusados.

Luiz Carlos ficou nas dependências do Departamento de Investigação por cerca de 2h30 e conversou com o delegado Edson Moreira. Lá, o pai de Eliza afirmou ter visto Marcos Aparecido do Santos, conhecido como Bola, apontado pela polícia como o executor da morte da jovem. “Eu vi o executor e a sensação foi de revolta. Como todo assassino frio e calculista, ele estava tranquilo”, disse.

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