"Polícia Federal tentou invadir meu apartamento", diz Protógenes

Rosanne D'Agostino

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O delegado Protógenes Queiroz, envolvido em polêmicas desde que conduziu a Operação Satiagraha contra o banqueiro Daniel Dantas, afirma que a Polícia Federal tentou invadir seu apartamento na manhã desta quinta-feira (29), no Guarujá, litoral paulista, para intimá-lo de cinco procedimentos por transgressão disciplinar.

  • Joel Silva/Folha Imagem

    Em setembro do ano passado, oficiais de justiça interromperam o anúncio de candidatura do delegado Protógenes Queiroz para intimá-lo, nono saguão do hotel São Paulo Inn, região central de São Paulo; o processo administrativo se referia à prisão do deputado Paulo Maluf (PP-SP). O delegado afirmou, à época, que situação semelhante ocorrera no dia anterior durante evento em uma universidade e classificou a situação de "constrangedora"

“Minha filha me ligou chorando. Eu estou em Minas Gerais. Queriam invadir meu apartamento dizendo que eu estava lá me escondendo. Sem mandado. O porteiro que impediu”, relatou Protógenes.

O delegado é candidato a deputado federal, em São Paulo, pelo PCdoB. Ele está em um seminário destinado a jornalistas em Lavras (MG), junto do secretário de Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Almino Affonso.

“Queriam impor temor, porque a minha agenda hoje é política, declarada”, afirma Protógenes, que vai representar contra a ação policial na Corregedoria e no Ministério Público. “Como não sabem onde é que eu estou?”

Protógenes afirma que a tentativa dos policiais federais era de intimá-lo de cinco novos procedimentos abertos contra ele em maio e junho deste ano, sobre declarações acerca da Operação Satiagraha, todos por transgressão disciplinar. Ao todo, ele já responde a 23 procedimentos na PF, e já foi intimado sobre 18.

Três foram instaurados em 30 de junho deste ano. O primeiro é por uma frase dita em 15 de março de 2009, durante evento organizado na capital paulista pelo MST. “Ocupar fazenda de banqueiro bandido é dever do povo brasileiro”, disse o delegado.

O outro foi por entrevista concedida à revista Caros Amigos, em dezembro de 2008, sobre a Satiagraha. E ainda por “mencionar fatos não confirmados e termos com significados dúbio possibilitando conclusões equivocadas quanto à participação de terceiros na investigação na operação”.

Mais dois foram instaurados em 8 de junho e 8 de maio. Respectivamente, um por ter omitido o compartilhamento com servidores da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e outro por ter dado “conhecimento prévio a jornalistas e documentos oficiais protegidos pelo sigilo da operação”.

O UOL Notícias entrou em contato com a Polícia Federal às 14h e aguarda manifestação sobre as declarações.

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