Falta de mantimento preocupa bombeiros que buscam grupo perdido há uma semana na Serra do Mar

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Outros casos em 2010

Pelo menos dois outros casos semelhantes foram registrados pelo Corpo de Bombeiros este ano na Serra do Mar. No dia 24 de maio, o helicóptero da PM resgatou quatro pessoas de São Bernardo do Campo (Grande SP) que se perderam na mata perto de Cubatão (litoral de SP). De acordo com a polícia, o grupo foi encontrado debilitado e, por isso,  o helicóptero foi acionado. No dia 4 de abril, 13 pessoas se perderam em uma trilha iniciada na região de Parelheiros, na zona sul de São Paulo. O grupo também foi resgatado por helicóptero. Uma pessoa que havia fraturado a costela, em decorrência de uma queda, foi encaminhada para o hospital. Cães farejadores ajudaram a polícia.

As equipes do Corpo de Bombeiros que buscam cinco pessoas perdidas na Serra do Mar começam a temer pelo estado de saúde do grupo. Há uma semana na mata, mãe, três filhos e uma nora devem estar desorientados no trecho mais complicado da trilha – a descida – e podem começar a sofrer com a falta de mantimentos.

Segundo o tenente Marcos Palumbo, porta-voz dos Bombeiros, a dúvida agora é como vão reagir os corpos de cada um. “Começam os problemas de comida e de água. O fator psicológico é muito forte. Se alguém torce o pé ou se machuca, isso pode desestabilizar o grupo”, avalia.

Como explica o bombeiro, a região provável de localização dos familiares é “perigosa” e muitas vezes escorregadia. “Estimamos que eles estejam a uns 5 km de Itanhaém (no litoral). A serra é muito úmida ali, precisa ter cautela. Fora o frio durante a noite. Não sabemos se eles levaram agasalhos suficientes”, argumenta. “E não temos ideia se eles começaram a retornar, se desviaram”, diz.

Pelos relatos de familiares, a mais experiente no grupo é Alice Barbosa dos Santos, 55 anos, que já teria feito a trilha várias vezes e incentivou os parentes a encarar a aventura, saindo de Itapecerica da Serra e indo até o litoral andando, até a fazenda Mambu.

Palumbo, no entanto, alerta que esse tipo de “autoridade” pode ser traiçoeira. “Uma árvore que você usava como referência antigamente pode ter crescido e ficado enorme. Em um desvio você pode se perder”, afirma.

O bombeiro conta que o grupo começou a empreitada no dia 23, planejando terminar o percurso até o dia 25 – ou seja, levando provavelmente alimentos para dois dias. Algumas ligações foram feitas para avisar sobre o andamento da caminhada. Nesses relatos, os trilheiros já mostravam preocupação com o atraso. Diziam que o dia não estava “rendendo”.

Demora na notificação
No dia 26, foi feito o último contato. A família, no entanto, demorou ainda dois dias para avisar o Corpo de Bombeiros, que ficou sabendo da ocorrência no dia 28 e, por questões climáticas, iniciou as buscas somente ontem (29). O trabalho, no entanto, foi em vão.

Hoje, duas equipes, cada uma com 10 homens, estão percorrendo os dois trajetos da trilha, que tem 50 quilômetros (em linha reta). Com o sol e com as nuvens dissipadas, um helicóptero da Polícia Militar (PM) também dá apoio ao resgate.

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