Acordo com sindicato para evitar tripulação sobrecarregada gerou atrasos na Gol

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Os atrasos registrados em mais da metade dos voos da Gol nesta segunda-feira (2) não são reflexo de uma greve, mas de um acordo feito entre a companhia e o Sindicato Nacional dos Aeronautas para que os tripulantes não fiquem sobrecarregados e excedam o limite de horas de voos previsto por lei. A informação foi dada pelo presidente do sindicato, comandante Gelson Fochesato.

Cancelamento e atrasos de voos causam tumulto no aeroporto Galeão, no Rio

Centenas de passageiros protestam contra problemas nos voos da Gol desde o início da madrugada desta segunda-feira no aeroporto internacional Tom Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Segundo a Infraero, as pessoas reclamam da falta de informação e da lentidão de atendimento da empresa no balcão de check-in.

A Infraero, que administra os aeroportos do país, informou que a Gol teve 335 voos domésticos atrasados e 77 cancelados entre 0h e 18h desta segunda-feira. Os atrasos representam quase 54% dos voos domésticos que estavam previstos para o horário. 

Em nota, a companhia disse que os voos da empresa vêm sofrendo cancelamentos e atrasos além do normal desde a sexta-feira por conta do intenso tráfego aéreo causado pelo fim das férias escolares e pelos remanejamentos de voos do Aeroporto de Congonhas, que fecha as 23h, para o Aeroporto de Guarulhos.

“A situação, desenvolvida num fim de semana de pico de movimento, com retorno de férias escolares, ocorreu num momento em que a empresa finalizava a implementação de um novo sistema de processamento das escalas dos pilotos e comissários”, completou a companhia. “Algumas tripulações atingiram o limite de horas de jornada de trabalho previsto na regulamentação da profissão e foram impossibilitadas de seguir viagem, gerando um efeito em cadeia”.

Fochesato confirma a mudança na escala. Segundo ele, depois de três reuniões com a categoria, a Gol concordou no dia 26 de julho em diminuir o número de voos para que uma escala menos sobrecarregada já começasse a valer a partir de agosto.

“Em julho, acontecem muitos voos extras. As companhias fretam aviões para agências de viagens, há voos de férias. E eles não levam em consideração a capacidade da tripulação. Em agosto, isso deve melhorar, mas o acordo é de que agora os voos extras só serão aceitos dentro da capacidade”, explicou.

Relembre: Em Brasília, passageiros aprovam novo juizado em aeroportos

O uso excessivo da tripulação, de acordo com ele, contraria as normas da aviação. “De fevereiro a julho, tivemos 800 denúncias de funcionários por excesso de jornada e falta de folga. Todas as companhias estão trabalhando fora do permitido. Os funcionários estão sobrecarregados, estressados e cansados”, disse.

De acordo com a Lei do Aeronauta (Lei 7.183/84), por questões de segurança operacional, um tripulante de avião a jato não pode exceder 85 horas de voo por mês, 230 horas por trimestre e 850 horas por ano.

Fochesato afirmou ainda que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) é responsável por liberar os comissários formados para contratação, mas isso demora a acontecer.

“A Anac, em vez de fiscalizar e ouvir as demandas dos sindicatos, fica liberando voos e demorando na liberação de novos comissários. A aviação brasileira está crescento muito e isso é bom, porque a sociedade pode viajar mais e por menos. Mas a formação da tripulação não acompanha e os tripulantes estão no limite, sobrecarregados”, explicou.

Segundo o sindicato, até o momento, apenas a Gol aceitou negociar a reestruturação da escala. O próximo passo é negociar com a TAM. Tripulantes extras foram chamados para normalizar a situação.

A TAM também registrou atrasos e cancelamentos, mas em menor quantidade. Foram 44 atrasos e nove cancelamentos em voos domésticos. Avianca, Azul e Webjet tiveram juntas 37 atrasos e cinco cancelamentos. Ao todo, 454 voos domésticos e 23 voos internacionais sofreram atrasos e 103 foram cancelados no país.

A Anac informou que está acompanhando a normalização da situação e fiscalizando o cumprimento da lei do aeronauta.

Segundo a agência, caso o passageiro não seja atendido pela companhia aérea, ele pode registrar queixa pelo 0800 725 4445 ou pelo site: www.anac.gov.br/faleanac.
 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos