MP denuncia e pede prisão preventiva de Mizael e vigia por morte de Mércia

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Em São Paulo

O Ministério Público de São Paulo denunciou nesta segunda-feira (2) o ex-namorado da advogada Mércia Nakashima, Mizael Bispo de Souza, e o vigia Evandro Bezerra da Silva, sob a acusação de assassinarem a advogada em 23 de maio, numa represa em Nazaré Paulista (SP). O MP também pediu a prisão preventiva de Mizael e a mudança de prisão temporária para preventiva de Evandro.

A denúncia foi entregue à Justiça de Guarulhos. O magistrado vai decidir se recebe ou não a denúncia. No caso de recebimento, os suspeitos passarão à condição de réus.

Mizael foi denunciado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Contra o vigia pesa a acusação de homicídio duplamente qualificado (meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa de Mércia).

“Mizael foi o mentor intelectual e o executor do crime, enquanto Evandro concorreu com o crime na forma de partícipe”, afirmou o promotor de Justiça, Rodrigo Merli Antunes, durante entrevista na sede do Ministério Público paulista, na região central de São Paulo.

Pela lei o juiz tem prazo de cinco dias para se manifestar a respeito da denúncia, mas esse prazo pode ser modificado. A defesa de Mizael, a cargo do advogado Samir Haddad Júnior, disse que vai apresentar a os argumentos contrários ao teor da denúncia e que só depois o magistrado irá se manifestar pelo acolhimento ao não da denúncia.

Mizael, que já teve a prisão preventiva decretada e suspensa, permanece solto. Evandro está preso temporariamente em um distrito policial em Guarulhos. Ambos negam o crime.

Diligências
O promotor solicitou mais nove diligências com o objetivo de dar mais substância de prova à denúncia oferecida nesta segunda-feira. Entre os pedidos está o de investigação na caixa postal do aperelho Nextel usado pela advogada Mércia Nakashima. O Ministério Público acredita que a caixa postal foi acessada depois do dia 23, data do desaparecimento da vítima.

Outra diligência reclamada pelo promotor de Guarulhos é a reconstituição do crime na versão da testemunha sigilosa arrolada pelo Ministério Público. A Promotoria pede que a simulação deva ser acompanhada de fotografias.

Histórico
Mércia desapareceu em 23 de maio da casa dos avós em Guarulhos. Foi encontrada morta em 11 de junho na represa der Nazaré Paulista. Segundo a perícia e o Ministério Público a advogada foi agredida, baleada, teve a mandíbula quebrada, desmaiou e morreu afogada dentro do próprio carro no mesmo dia em que sumiu.

Par ao Ministério Público, Mizael matou a ex-namorado movido por ciúmes e o vigilante o ajudou na empreitada criminosa.

O promotor de Justiça alegou que as provas determinantes para o convencer da autoria do crime foram a quebra do sigilo telefônico e os depoimentos contraditórios de Mizael.

O promotor também não descartou a possibilidade de um terceiro envolvido, que seria o irmão de Mizael, Altair Bispo de Souza. “Mas até o momento não temos elementos suficientes para incriminá-lo”, disse.

O Ministério Público pede que a polícia, em procedimento separado, prossiga as investigações sobre eventual envolvimento de Altair. A promotoria pretende que seja esclarecido o motivo das 27 ligações telefônicas mantidas entre ele e Evandro.

Inquérito policial
A Polícia Civil de São Paulo concluiu o inquérito sobre o assassinato de Mércia no último dia 27, após dois meses de investigação, e pediu a prisão preventiva de Mizael.

O pedido tem como base, entre outros argumentos, laudo do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo que concluiu que a causa da morte da advogada foi afogamento. O laudo mostra que Mércia levou um tiro no braço esquerdo, que também atingiu a boca. Mas a causa da morte foi afogamento na represa.

As informações são importantes pois indicam que a advogada chegou com vida até a represa. Até o resultado, as autoridades não sabiam se ela poderia ter sido executada em outro local e levada já morta ao ponto em que o cadáver - e seu carro - foram encontrados.

No último dia 20, Olim interrogou o ex-namorado de Mércia. As autoridades apresentaram uma prova surpresa durante o depoimento realizado no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), centro da capital paulista.

Segundo o delegado, a polícia descobriu um celular que seria usado por Mizael, mas registrado em nome de uma terceira pessoa. A quebra do sigilo telefônico revelou que o advogado usava o aparelho para telefonar para o vigia.

Conforme o promotor Rodrigo Merli Antunes, que esteve no interrogatório, sempre que telefonava para Mércia, Mizael ligava para Evandro em seguida. "[Mizael] falou 16 vezes com a Mércia nesse dia [da morte], e ligava para o Evandro depois”.

A polícia concluiu que o celular pertence a Mizael após terem sido constatadas ligações do aparelho para familiares dele. Depois do crime, os telefonemas cessaram. Segundo o delegado, Mizael assumiu possuir o chip em nome de outra pessoa.

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