Atrasos diminuem em aeroportos, mas Gol ainda enfrenta problemas

Do UOL Notícias

Em São Paulo

A Infraero informou que os atrasos em voos domésticos diminuiram em todo o país nesta terça-feira (3). A situação começa a se normalizar após transtornos causados aos passageiros, principalmente com os voos da companhia aérea Gol, desde o final de semana. Mas a companhia ainda enfrenta problemas.

Anac recebeu 520 denúncias trabalhistas contra a Gol

O Sindicato Nacional dos Aeronautas registrou na ouvidoria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) uma manifestação com 520 denúncias trabalhistas contra a Gol, a maioria por carga horária e problemas com escalas de voo

Às 11h, eram 4% de atrasos nos 886 voos programados, somando 35 voos com problemas. A Gol tem atrasos em 21 desses voos. Ao todo, desde a 0h de hoje, a companhia anunciou o atraso de 105 voos (32,7 %) e 27 cancelamentos.

Entre a 0h de ontem e a 0h de hoje, a estatal que administra os aeroportos registrou atraso superior a 30 minutos em 614 voos domésticos (26% do total de 2.360) e 142 voos cancelados. Passageiros enfrentaram filas ainda nesta madrugada, e alguns dormiram nos aeroportos.

Em nota, a companhia disse que os voos da empresa vêm sofrendo cancelamentos e atrasos além do normal desde a sexta-feira por conta do intenso tráfego aéreo causado pelo fim das férias escolares e pelos remanejamentos de voos do Aeroporto de Congonhas, que fecha as 23h, para o Aeroporto de Guarulhos.

“A situação, desenvolvida num fim de semana de pico de movimento, com retorno de férias escolares, ocorreu num momento em que a empresa finalizava a implementação de um novo sistema de processamento das escalas dos pilotos e comissários”, completou a companhia. “Algumas tripulações atingiram o limite de horas de jornada de trabalho previsto na regulamentação da profissão e foram impossibilitadas de seguir viagem, gerando um efeito em cadeia.”

Segundo o comandante Gelson Fochesato, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), o alto índice de atrasos é reflexo de um acordo feito nos últimos dias entre a companhia e o sindicato. Fochesato afirmou que, depois de três reuniões com a categoria, a Gol concordou no dia 26 de julho em alterar o formato da escala e reduzir o número de voos para cada tripulante a partir de hoje.

“Em julho, acontecem muitos voos extras. As companhias fretam aviões para agências de viagens, há voos de férias. E eles não levam em consideração a capacidade da tripulação. Em agosto, isso deve melhorar, mas o acordo é de que agora os voos extras só serão aceitos dentro da capacidade”, disse.

A Anac informou que pediu explicações a Gol sobre os atrasos e cancelamentos e afirmou que está acompanhando a normalização da situação. Segundo a agência, caso o passageiro não seja atendido pela companhia aérea, ele pode registrar queixa pelo 0800 725 4445 ou pelo site: www.anac.gov.br/faleanac.

“Falha” na lei
De acordo com a Lei do Aeronauta (Lei 7.183/84), por questões de segurança operacional, um tripulante de avião a jato não pode exceder 85 horas de voo por mês, 230 horas por trimestre e 850 horas por ano. O texto também impede que a tripulação que cumpriu três horas de jornada entre 23h e 6h viaje na madrugada do dia seguinte.

Já para o comandante Carlos Camacho, diretor do SNA, as empresas aproveitam uma falha no texto da regulamentação da categoria e obrigam os tripulantes a trabalhar durante várias madrugadas seguidas.

“As empresas se apropriaram de uma falha na regulamentação que permite uma interpretação segundo a qual só não podem ser escalados na madrugada seguinte os tripulantes que voltaram à sua base. O problema é que muitas vezes os trabalhadores viajam de madrugada, mas não voltam para sua base, vão para outras cidades”, diz. “Mas o que está em questão é a condição física do ser humano, e não a cidade para onde o tripulante vai”, afirma.

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