Diretora da Anac afirma que não era possível prever caos aéreo

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) anunciou, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (4), que multou a companhia área Gol em R$ 2 milhões e proibiu a empresa de fazer voos fretados até que a situação se normalize. Desde o fim de semana, os passageiros enfrentam atrasos e cancelamentos dos voos, a maioria de responsabilidade da empresa.

Sobre a aplicação da multa, Solange Vieira, diretora-presidente da Anac, disse que esse não é o melhor mecanismo para punir as companhias aéreas, ressaltando que a agência tem preferido restrições operacionais. No entanto, em 2007 a agência arrecadou R$ 808 mil em autuações, e esse número saltou para R$ 7,3 milhões em 2009. Até junho deste ano a Anac já superou o valor do ano passado alcançando R$ 7,4 milhões em multas.

Em nota divulgada na segunda (2), a Gol disse que os voos da empresa vêm sofrendo cancelamentos e atrasos além do normal desde a sexta-feira por conta do intenso tráfego aéreo causado pelo fim das férias escolares e pelos remanejamentos de voos do aeroporto de Congonhas, que fecha as 23h, para o aeroporto de Guarulhos.

Vieira rebateu o argumento posto pela Gol de que o grande número de voos fretados seria a causa dos transtornos. A diretora informou que no final de semana entre os dias 23 e 25 de julho a empresa realizou 145 voos fretados, enquanto que no último final de semana, entre os dias 30 de julho a 1º de agosto foram 130 os voos fretados.

Em reunião convocada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) na terça-feira, a Gol afirmou também que problemas em um novo software, implantado no começo de julho para planejamento das escalas dos funcionários, gerou "dados incorretos que culminaram no planejamento inadequado da malha aérea e da jornada de trabalho dos tripulantes”.

“Tudo que nós apuramos desde domingo só nos faz concluir que realmente o que aconteceu foi um problema no sistema. E aí o problema de sistema não foi falha de nossa fiscalização”, defende-se  Vieira.

Segundo ela, com os dados anteriores da Anac, não era possível prever o caos aéreo. Vieira argumenta que a Gol era a única empresa que não tinha sido autuada em 2010 sobre excesso de horas de voo dos funcionários. De acordo com a diretora, as mais de 500 reclamações que o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) registrou na ouvidoria da Anac com denúncias trabalhistas contra a empresa só chegaram ao seu conhecimento ontem.

"Não tinha motivos para identificar os problemas que ocorreram. De junho para julho, a empresa ampliou o quadro de funcionários. No último fim de semana, especificamente, houve menos voos fretados do que no anterior", afirmou. Vieira, entretanto, confirmou que as investigações iniciais apontam que a causa do problema foi mesmo a troca do programa que faz as escalas dos funcionários.

Passageiros recorrem ao juizado especial

  • Após 3 dias de muito tumulto, confusão, gente dormindo no chão e filas, a situação no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, finalmente começa a se normalizar. Os passageiros que recorreram ao juizado especial elogiam o serviço

Jornadas "desumanas"
Os tripulantes da companhia aérea acusam a empresa de desrespeitar a legislação trabalhista e obrigá-los a cumprir jornadas de trabalho “desumanas”. Por conta do problema, copilotos entrevistados pelo UOL Notícias afirmam que é comum tripulantes dormirem em plena cabine do voo.

Após se reunir com o SNA no fim de julho, a Gol aceitou reformular as escalas para impedir que os tripulantes continuassem trabalhando mais do que o permitido. Com menos mão-de-obra, a Gol não conseguiu dar conta de todos os voos que estavam programados, o que acabou resultando no caos sentido por passageiros em vários aeroportos do Brasil.

Segundo tripulantes da companhia, há muito tempo os funcionários estão sendo submetidos a condições de trabalhos inadequadas, em desacordo com a legislação trabalhista que regulamenta a categoria. De acordo com eles, em julho ocorreu um agravamento da situação, após o problema com a nova escala, que é operada por computadores e foi instalada em substituição ao modelo anterior, controlado manualmente. Os tripulantes ameaçam entrar em greve no próximo dia 13.

Diante desses rumores de paralisação, Vieira disse que a Anac ainda não foi informada sobre a decisão, e que se a greve de fato ocorrer tudo o que a agência pode fazer é avisar antecipadamente os aeroportos.

Ainda durante a coletiva, ela afirmou que "a tripulação não extrapolou o número de horas voadas”.

Segundo Vieira, a situação deve voltar ao normal amanhã ou na sexta-feira. Nesta quinta, ela disse que vai passar pelos quatro principais aeroportos do país (Congonhas, Cumbica, Tom Jobim e Santos Dumont) para verificar as operações.

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