Polícia de SP recebe cerca de dez denúncias por dia sobre paradeiro do ex de Mércia

Arthur Guimarães*
Do UOL Notícias

Em São Paulo

A polícia de São Paulo está recebendo cerca de dez telefonemas por dia com supostas pistas sobre o paradeiro do policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, réu no processo que investiga o homicídio de sua ex-namorada Mércia Nakashima.

"São denúncias anônimas que apontam para os mais diversos locais. Algumas dizem que ele está no litoral, outros no interior, inclusive dizem que o viram em Guarulhos (Grande SP). Não dá para confiar em tudo, mas vamos checando uma coisa ou outra aos poucos", afirmou o delegado Itagiba Franco, divisionário do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo Franco, toda a equipe da 2ª Delegacia de Pessoas Desaparecidas está nas ruas em busca do foragido. A polícia não especificou quantos homens fazem a busca.

Desde a tarde de terça-feira (3), Souza é considerado foragido da Justiça, após o juiz Leandro Jorge Bittencourt, do Fórum de Guarulhos, aceitar a denúncia do Ministério Público e pedir a prisão preventiva dele e de seu suposto comparsa, o vigia Evandro Bezerra da Silva.

Ontem, o advogado de Souza, Samir Haddad Junior, afirmou que seu cliente está escondido em Guarulhos. “Ele falou que está em Guarulhos e preparado para aguentar vários dias entocado. Ele vai ficar preso onde ele está escondido”, disse. “O Mizael afirmou que não vai para a cadeia, correr o risco de ser morto por outro preso. Cadeia especial no Brasil não existe”, afirmou.

Haddad Junior entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) na manhã desta quarta-feira (4). A desembargadora Angélica de Almeida julgará o pedido, informou a assessoria de imprensa do TJ. O advogado afirmou que, no pedido de liberdade, argumentou que a Justiça de Guarulhos não tem competência para decidir pela prisão de Souza.

“Esse decreto é uma aberração jurídica. O crime não ocorreu em Guarulhos e vai ser julgado em Nazaré Paulista (local em que o corpo de Mércia foi encontrado). O juiz não poderia decretar a prisão se ele não vai julgar o crime”, disse.

Histórico
Mércia foi vista pela última vez no dia 23 de maio da casa dos avós em Guarulhos. Foi encontrada morta em 11 de junho na represa de Nazaré Paulista, na Grande São Paulo. Segundo a perícia, a advogada foi agredida, baleada, teve a mandíbula quebrada e morreu afogada dentro do próprio carro no mesmo dia em que sumiu.

Para o Ministério Público, Souza matou a ex-namorada movido por ciúmes e o vigilante o ajudou na empreitada criminosa. O promotor alegou que as provas determinantes para o convencer da autoria do crime foram a quebra do sigilo telefônico e os depoimentos contraditórios de Souza. O ex-policial tinha um celular, registrado em nome de terceiros, em que conversou 16 vezes com o suposto comparsa no dia estimado do crime. Além disso, a polícia descobriu que, sempre que falava com o vigia, voltava a ligar para a ex-namorada.

O promotor do caso, Rodrigo Merli, também não descartou a possibilidade de um terceiro envolvido, que seria o irmão de Souza, Altair Bispo de Souza. “Mas até o momento não temos elementos suficientes para incriminá-lo”, disse.

O Ministério Público pede que a polícia, em procedimento separado, prossiga as investigações sobre eventual envolvimento de Altair. A promotoria pretende que seja esclarecido o motivo das 27 ligações telefônicas mantidas entre ele e Mizael.

*Com informações de Guilherme Balza

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