Inquérito sobre atropelamento do filho de Cissa deve ser concluído em dez dias; motorista deve ser indiciado

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

A delegada que investiga o caso do atropelamento do filho de Cissa Guimarães, Rafael Mascarenhas, 18, afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira (10) que o inquérito deve ser concluído até o dia 20 de agosto.

Dois laudos ficaram prontos nesta segunda-feira (9): um analisou as avarias no carro de Rafael Bussamra, que assumiu o atropelamento, e outro laudo, da reconstituição do caso, aponta que o carro estava a aproximadamente 100 km/h. Os laudos comprovam que Mascarenhas foi arremessado a 50 metros de distância depois do acidente.

A vítima foi atropelada na madrugada do dia 20 de julho quando andava de skate com mais dois amigos no túnel Acústico, na zona sul do Rio de Janeiro. A pista do túnel estava interditada.

A delegada Bárbara Lomba, titular da 15ª DP da Gávea, afirmou que não deve ouvir mais testemunhas e que sua equipe precisa agora apenas reunir todas as informações para concluir a investigação.

Lomba confirma que Bussamra vai ser indiciado, pois ele já confessou a autoria do atropelamento e a materialidade do crime, mas não especificou por quais crimes o motorista deve responder. Bussamra pode ser indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar) ou doloso (com intenção de matar). O motorista nega que estivesse apostando "racha".

"A velocidade, por si só, não vai indicar que havia esse tipo de prática ['racha'] ali". Lomba, porém, acredita não ser necessário comprovar a existência ou não de um "racha" no momento do acidente para decidir se Bussamra será indiciado por homicídio doloso ou culposo. Segundo ela, a conclusão depende de questões técnicas, como constatar que ele conduzia em alta velocidade em local de circulação proibida. "Não tem como eu entrar na cabeça deles para saber o que eles estavam pensando na hora. Por isso que temos que cercar de todos os lados e buscar o máximo de informação possível."

O motorista também pode ser indiciado por omissão de socorro, pois, segundo a delegada, apesar de haver registros de chamadas telefônicas, o suspeito deixou o local após o acidente.

Corrupção
Bussamra, seu pai e seu irmão também estão sendo investigados pelo crime de corrupção ativa. Segundo o advogado da família, na madrugada do atropelamento, coagido por dois policiais militares –o sargento Marcelo Leal e o cabo Marcelo Bigon– o pai de Bussamra entregou R$ 1 mil aos PMs a fim de abafar o caso. Os PMs teriam impedido o motorista de fazer o registro de ocorrência na delegacia e pedido uma propina de R$ 10 mil. O combinado foi de que o restante seria pago na manhã seguinte.

Mas enquanto estava numa agência bancária no centro para sacar a segunda parte da propina, o pai teria tido conhecimento da identidade do garoto atropelado e se recusou a continuar com o pagamento. Em depoimento à delegada Bárbara Lomba, pai e filho contaram sobre o pedido de propina e denunciaram os dois policiais.

Suspeitos de má conduta, os PMs estão no Batalhão Especial Prisional da PM, em Benfica, zona norte do Rio. Eles já prestaram depoimento à Auditoria da Justiça Militar, mas se negaram a esclarecer detalhes do caso perante a delegada, alegando que só se pronunciariam em juízo. Segundo o advogado do cabo Bigon, Claudenor de Brito, os PMs negam a propina.

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