Durante julgamento de ataque do PCC, promotor afirma que criminosos ameaçaram fazer resgate

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Em São Paulo

Durante o julgamento de Lamberto José de Carvalho Alves, um dos acusados de matar o bombeiro João Alberto da Costa em 13 de maio de 2006, durante a onda de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo, que acontece nesta quarta-feira (11), o promotor do caso afirmou que o Tribunal do Júri recebeu uma ligação de criminosos afirmando que o réu seria resgatado durante a sessão.

O promotor de Justiça Marcelo Milani não comprovou a informação, gerando reação da defesa, que exigiu que o dado fosse registrado nos autos do processo.  “Hoje, uma pessoa ligou para este tribunal fazendo ameaças de que iria resgatar o preso agora em julgamento”, disse o promotor durante a fase de debates. Logo depois, falando aos jornalistas contou que a ligação foi atendida pela juíza Fabíola Oliveira Silva. A segurança foi reforçada dentro e fora do plenário.

Milani também afirmou que integrantes do PCC estiveram presentes no julgamento anterior do mesmo caso, quando outros três acusados de participar do crime foram absolvidos. Na época,  o promotor ingressou com recurso contra a sentença de absolvição.

O início do julgamento de hoje foi marcado por trocas de farpas entre a defesa e o Ministério Público.

Durante a escolha de um dos jurados houve bate-boca entre acusação e defesa. O advogado Eugênio Malavasi disse que o promotor de Justiça “estava se esperneando”. Em resposta, Milani mandou o advogado se sentar. A intervenção da juíza Fabíola Oliveira Silva acabou com a confusão.

O conselho de sentença é formado por quatro mulheres e três homens. O Ministério Público recusou três jurados (dois homens e uma mulher), a defesa recusou dois nomes (um homem e uma mulher) e a juíza aceitou uma recusa a pedido.

Após a escolha dos jurados, três testemunhas comuns à acusação e à defesa foram ouvidas em cerca de 40 minutos. O réu também falou e negou o crime, alegando que foi torturado pela polícia. “Não sei por que motivo estou preso, pois não conheço nenhuma das pessoas arroladas nesse processo”, afirmou Alves.

O réu é acusado de homicídio e tentativa de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima), além de formação de quadrilha. Ele também responde pela conduta de ter entregue a arma usada no homicídio.

O júri estava marcado inicialmente para o dia 14 de junho, mas foi adiado pela falta de uma testemunha de acusação que não foi localizada. A previsão é de que o julgamento termine ainda hoje. Alves está preso desde 16 de maio de 2006.

Histórico
O crime aconteceu durante a primeira série de ataques comandada pelo PCC contra as forças de segurança de São Paulo. O bombeiro, na época com 40 anos, foi assassinado a tiros em frente ao batalhão onde trabalhava, em Santa Cecília, no centro da capital.

Em março, numa sentença surpreendente, o 1º Tribunal do Júri, presidido pela juíza Eva Lobo Chaib Dias Jorge, absolveu três pessoas acusadas pelos mesmos. Os três –Eduardo Aparecido Vasconcelos (o Mascote), Alex Gaspar Cavalheiro (o Gordinho) e Giuliana Donayre Custódio (a Gringa)– responderam ainda pelo crime de tentativa de homicídio contra o também bombeiro Adriano Pedro Horário e contra Aderson Dinizete de Freitas, um civil que passava pelo local na hora do delito.

No julgamento, a defesa sustentou a inocência dos acusados e argumentou pela insuficiência de provas da prática dos delitos apontada na denúncia. Segundo a defesa, os acusados foram torturados pela polícia. Em caso de dúvida de autoria, argumentou, os réus deveriam ser absolvidos.

A decisão do Conselho de Sentença pegou de surpresa o Ministério Público e a própria magistrada que dirigiu o julgamento. O promotor de Justiça Marcelo Milani ingressou com recurso contra a sentença de absolvição. De acordo com a denúncia do MP, o ataque foi coordenado pelo PCC, que age dentro dos presídios paulistas.

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