Julgamento de acusado de matar bombeiro durante ataque do PCC começa com bate-boca

Especial para o UOL Notícias

Em São Paulo

O início do julgamento de Lamberto José de Carvalho Alves, um dos acusados de matar o bombeiro João Alberto da Costa em 13 de maio de 2006, durante a onda de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo, foi marcado por trocas de farpas entre a defesa e o Ministério Público.

Durante a escolha de um dos jurados houve bate-boca entre acusação e defesa. O advogado Eugênio Malavasi disse que o promotor de Justiça Marcelo Milani “estava se esperneando”. Em resposta, Milani mandou o advogado se sentar. A intervenção da juíza Fabíola Oliveira Silva acabou com a confusão.

O conselho de sentença é formado por quatro mulheres e três homens. O Ministério Público recusou três jurados (dois homens e uma mulher), a defesa recusou dois nomes (um homem e uma mulher) e a juíza aceitou uma recusa a pedido.

Após a escolha dos jurados, três testemunhas comuns à acusação e à defesa foram ouvidas em cerca de 40 minutos. O réu também falou e negou o crime, alegando que foi torturado pela polícia. A previsão é de que o julgamento termine ainda hoje.

O réu é acusado de homicídio e tentativa de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima), além de formação de quadrilha. Ele também responde pela conduta de ter entregue a arma usada no homicídio.

A sessão começou com uma hora e 40 minutos de atraso após o horário previsto (13h) no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. O júri estava marcado inicialmente para o dia 14 de junho, mas foi adiado pela falta de uma testemunha de acusação que não foi localizada.

Histórico
O crime aconteceu durante a primeira série de ataques comandada pelo PCC contra as forças de segurança de São Paulo. O bombeiro, na época com 40 anos, foi assassinado a tiros em frente ao batalhão onde trabalhava, em Santa Cecília, no centro da capital.

Em março, numa sentença surpreendente, o 1º Tribunal do Júri, presidido pela juíza Eva Lobo Chaib Dias Jorge, absolveu três pessoas acusadas pelos mesmos. Os três –Eduardo Aparecido Vasconcelos (o Mascote), Alex Gaspar Cavalheiro (o Gordinho) e Giuliana Donayre Custódio (a Gringa)– responderam ainda pelo crime de tentativa de homicídio contra o também bombeiro Adriano Pedro Horário e contra Aderson Dinizete de Freitas, um civil que passava pelo local na hora do delito.

No julgamento, a defesa sustentou a inocência dos acusados e argumentou pela insuficiência de provas da prática dos delitos apontada na denúncia. Segundo a defesa, os acusados foram torturados pela polícia. Em caso de dúvida de autoria, argumentou, os réus deveriam ser absolvidos.

A decisão do Conselho de Sentença pegou de surpresa o Ministério Público e a própria magistrada que dirigiu o julgamento. O promotor de Justiça Marcelo Milani ingressou com recurso contra a sentença de absolvição. De acordo com a denúncia do MP, o ataque foi coordenado pelo PCC, que age dentro dos presídios paulistas.

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