Jurados são identificados apenas por números durante julgamento envolvendo PCC

Especial para o UOL Notícias

Em São Paulo

A Justiça aplicou um novo método durante o julgamento de Lamberto José de Carvalho Alves, um dos acusados de matar o bombeiro João Alberto da Costa em 13 de maio de 2006, durante a onda de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo. A sessão acontece nesta quarta-feira (11) no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

Em vez de serem identificados pelos nomes, cada um dos jurados incluídos para o sorteio que escolheria o Conselho de Sentença foi apresentado apenas por um número.

O método foi usado para preservar a identidade dos jurados e é resultado do julgamento ocorrido em março, que levou a absolvição de três pessoas acusadas do mesmo crime e de participarem da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Naquele julgamento, o 1º Tribunal do Júri absolveu três supostos membros da facção, também acusados pela morte do bombeiro. As três pessoas eram acusadas dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e meio que impossibilitou a defesa da vítima) e formação de quadrilha ou bando.

Eduardo Aparecido Vasconcelos (o Mascote), Alex Gaspar Cavalheiro (o Gordinho) e Giuliana Donayre Custódio (a Gringa) eram acusados pelo Ministério Público de matar o bombeiro. Na época, o promotor ingressou com recurso contra a sentença de absolvição. No julgamento de hoje, Lamberto José de Carvalho Alves é acusado dos mesmos crimes.

“Não posso comprovar, mas tenho certeza de que integrantes do PCC estavam presentes naquela ocasião no plenário do Tribunal do Júri”, afirmou o promotor de Justiça Marcelo Milani, responsável pela acusação nos dois julgamentos.

A afirmação de Milani durante a sessão de julgamento provocou protestos da defesa, que entendeu o pronunciamento do promotor como parte da estratégia da acusação para forçar a condenação do réu.

“Hoje, uma pessoa ligou para este tribunal fazendo ameaças de que iria resgatar o preso agora em julgamento”, afirmou ainda o promotor durante sua participação na fase de debates. Logo depois, falando aos jornalistas contou que a ligação foi atendida pela juíza Fabíola Oliveira Silva. A segurança foi reforçada dentro e fora do plenário.

O julgamento
A sessão do 1º Tribunal do Júri começou às 14h40 com a apresentação do resumo da sentença de pronúncia. Depois foram ouvidas três testemunhas: Anderson Donizetti de Freitas, Adriano Pedro Horácio e o delegado José Roberto Arruda. Outro delegado, Dimas Pinheiro, teve o depoimento dispensado com a concordância da acusação e da defesa.

Em seguida foi ouvido o réu que negou qualquer participação no atentado criminoso. “Não sei por que motivo estou preso, pois não conheço nenhuma das pessoas arroladas nesse processo”, afirmou Alves.

O julgamento entrou em sua fase decisiva de debates. Primeiro falou a acusação, por uma hora e meia. O promotor Marcelo Milani sustentou sua tese de acusação afirmando que o réu é partícipe no crime e que sua contribuição se deu pelo fornecimento das armas para a empreitada criminosa.

Segundo Milani a comprovação da autoria estaria centrada no depoimento de dois acusados que reconheceram o réu como responsável pelo fornecimento das armas e por uma agenda, encontrada em poder de Alves, na qual tinha anotado os telefones celulares de dois acusados pelo mesmo crime.

Agora é a vez da defesa apresentar sua tese de que não há provas no processo que incriminem o réu. Alves está preso desde 16 de maio de 2006.

O caso
O crime aconteceu durante a primeira série de ataques comandada pelo PCC também deixou duas pessoas feridas. O bombeiro, na época com 40 anos, foi assassinado a tiros em frente ao batalhão onde trabalhava, em Santa Cecília, no centro da capital.

De acordo com a denúncia do MP, o ataque foi coordenado pela facção criminosa PCC, que age dentro dos presídios paulistas.

Segundo o promotor Marcelo Milani, Eduardo Aparecido Vasconcelos, Giuliana do Nayre Custódio e Alex Gaspar Cavalheiro participaram do ataque a tiros contra o grupamento do Corpo de Bombeiros que fica na Alameda Barão de Piracicaba. Alves foi o responsável pelo fornecimento das armas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos