Justiça condena homem por matar bombeiro durante ataques do PCC

Especial para o UOL Notícias

Em São Paulo

A Justiça condenou a 46 anos e dois meses de prisão Lamberto José de Carvalho Alves, um dos acusados de matar o bombeiro João Alberto da Costa em 13 de maio de 2006, durante a onda de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo. Ele não terá o direito de apelar da sentença em liberdade e foi condenado pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e formação de quadrilha.

O réu negou qualquer participação no atentado. “Não sei por que motivo estou preso, pois não conheço nenhuma das pessoas arroladas nesse processo”, afirmou. Alves já estava preso desde 16 de maio de 2006.

O promotor Marcelo Milani sustentou sua tese de acusação afirmando que o réu era partícipe no crime e que sua contribuição se deu pelo fornecimento das armas para a empreitada criminosa.

Segundo Milani a comprovação da autoria estaria centrada no depoimento de dois acusados que reconheceram o réu como responsável pelo fornecimento das armas e por uma agenda, encontrada em poder de Alves, na qual tinha anotado os telefones celulares de dois acusados pelo mesmo crime. 

Outros acusados de participação no crime foram absolvidos em um julgamento em março desse ano.

Julgamento
A sessão do 1º Tribunal do Júri começou na tarde desta quarta-feira (11) com a apresentação do resumo da sentença de pronúncia. Depois foram ouvidas três testemunhas: Anderson Donizetti de Freitas, Adriano Pedro Horácio e o delegado José Roberto Arruda. Outro delegado, Dimas Pinheiro, teve o depoimento dispensado com a concordância da acusação e da defesa.

O tribunal adotou um novo método no julgamento. Em vez de serem identificados pelos nomes, cada um dos jurados incluídos para o sorteio que escolheria o Conselho de Sentença foi apresentado apenas por um número.

O método foi usado para preservar a identidade dos jurados e é resultado do julgamento ocorrido em março, que levou a absolvição de três pessoas acusadas do mesmo crime e de participarem da facção criminosa PCC.

Naquele julgamento, o 1º Tribunal do Júri absolveu três supostos membros da facção, também acusados pela morte do bombeiro. As três pessoas eram acusadas dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e meio que impossibilitou a defesa da vítima) e formação de quadrilha ou bando.

Eduardo Aparecido Vasconcelos (o Mascote), Alex Gaspar Cavalheiro (o Gordinho) e Giuliana Donayre Custódio (a Gringa) eram acusados pelo Ministério Público de matar o bombeiro. Na época, o promotor ingressou com recurso contra a sentença de absolvição. No julgamento de hoje, Lamberto José de Carvalho Alves era acusado dos mesmos crimes.

“Não posso comprovar, mas tenho certeza de que integrantes do PCC estavam presentes naquela ocasião no plenário do Tribunal do Júri”, afirmou o promotor de Justiça Marcelo Milani, responsável pela acusação nos dois julgamentos.

A afirmação de Milani durante a sessão de julgamento provocou protestos da defesa, que entendeu o pronunciamento do promotor como parte da estratégia da acusação para forçar a condenação do réu.

“Hoje, uma pessoa ligou para este tribunal fazendo ameaças de que iria resgatar o preso agora em julgamento”, afirmou ainda o promotor durante sua participação na fase de debates. A segurança foi reforçada dentro e fora do plenário.

O caso
O crime aconteceu durante a primeira série de ataques comandada pelo PCC também deixou duas pessoas feridas. O bombeiro, na época com 40 anos, foi assassinado a tiros em frente ao batalhão onde trabalhava, em Santa Cecília, no centro da capital.

De acordo com a denúncia do MP, o ataque foi coordenado pela facção criminosa PCC, que age dentro dos presídios paulistas.

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