Trem bate em ônibus de passageiros na Baixada Fluminense; 20 pessoas ficaram feridas

Arthur Guimarães e Daniel Milazzo
Do UOL Notícias
Em São Paulo e Rio de Janeiro

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro confirmou na noite desta quinta-feira (12) que um trem de carga se chocou contra um ônibus cheio de passageiros em um cruzamento em Miguel Couto, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

De acordo com informações do tenente-coronel Evandro Bezerra, comandante do Corpo de Bombeiros local, 20 pessoas ficaram feridas, sendo três em estado grave. Um deles foi levado ao Hospital da Posse e dois para o Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias. O UOL Notícias está tentando contato com as unidades de saúde para saber o estado das vítimas. Segundo uma testemunha, havia cerca de 30 pessoas dentro do ônibus.

Trinta e cinco homens participaram dos trabalhos de resgate, que já foram encerrados. Uma equipe de perícia foi até o local para analisar o veículo, que estava com a parte traseira destruída --um laudo deve sair em 30 dias. O ônibus foi rebocado às 22h50 e os curiosos que acompanhavam o resgate começaram a deixar a área.

O acidente foi registrado por volta das 19h15, nas proximidades da estrada Luis Lemos. Segundo Bezerra, o ônibus municipal da viação Tinguá capotou quatro vezes após a colisão --de acordo com uma testemunha, o coletivo apenas tombou após o choque. O  veículo fazia a linha Central-Miguel Couto.

Segundo a MRS Logística, empresa responsável pelo trem de carga, a composição tinha 26 vagões que carregavam material siderúrgico e cimento. A MRS, por meio de sua assessoria de imprensa, alegou que a sinalização no local é direcionada apenas para que os veículos parem --os trens têm sempre autorização para seguir. A empresa diz que o motorista do ônibus não obedeceu as placas. A empresa afirmou ainda que uma sindicância será aberta para apurar as causas do acidente.

A reportagem tentou localizar a viação Tinguá, mas ninguém atendeu os telefonemas.

Moradores relatam imprudência
Jesel de Souza Costa, 30, presenciou o acidente quando estava dentro de outro ônibus perto do local. "Foi negligência mesmo do motorista", disse Costa, relatando que o trem estava sinalizando sua aproximação do cruzamento e o motorista do coletivo não brecou. 

"Eu acho que tinha que ter uma cancela aqui", disse Simone Defensor, 38, moradora da região.

Orlando Lira, 45, também morador de Nova Iguaçu, passou a pé pelo local 20 minutos antes do acidente. Ao ouvir um estrondo, voltou correndo e chegou a ajudar no resgate de um dos passageiros. "Esse cruzamento nem é dos piores", disse. Em outros, segundo relata Lira, há casas perto da linha férrea, o que atrapalha a visão dos veículos que cruzam a linha. "Se isso fosse de manhã, seria uma tragédia porque o ônibus já vem 5h, 6h da manhã lotado."

Uma mulher que não quis se identificar afirmou que é comum os coletivos passarem perigo perto das linhas de trem. "Isso não é a primeira vez. Sempre tem problemas parecidos, o pior é que nessa linha nem tem cobrador", disse, ressaltando que são eles que costumavam ajudar o motorista a checar se há trens cruzando a via. "Os ônibus passam sempre varados", complementou seu filho.

De acordo com o tenente-coronel Evandro Bezerra, não havia sinais sonoros e tampouco barreiras físicas no cruzamento. Apenas placas visuais alertavam os motoristas.

Perfil da concessionária
A MRS Logística é uma concessionária que controla, opera e monitora a malha sudeste da Rede Ferroviária Federal. A empresa atua no mercado de transporte ferroviário desde 1996, quando foi constituída, interligando os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

No total, ela opera 1.643 km de malha - trilhos que facilitam o processo de transporte e distribuição de cargas numa região que concentra aproximadamente 54% do produto interno bruto do Brasil e estão instalados os maiores complexos industriais do país. Pela malha da MRS também é possível alcançar os portos de Sepetiba e de Santos (o mais importante da América Latina).

O foco das atividades da MRS está no transporte ferroviário de cargas gerais, como minérios, produtos siderúrgicos acabados, cimento, bauxita, produtos agrícolas, coque verde e contêineres.

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