Prefeitura investiga se fogo na favela foi ateado pelos próprios moradores

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Mario Ângelo/AE

    Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio na favela Tiquatira, zona leste de SP, já foi controlado.

    Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio na favela Tiquatira, zona leste de SP, já foi controlado.

Em visita à área incendiada da favela Tiquatira, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, o secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Ronaldo Camargo, confirmou que a administração municipal trabalha com a hipótese de que o fogo de hoje tenha sido ateado pelos próprios moradores como forma de conseguir a inclusão em programas sociais de moradia.

Veja imagens do incêndio

Policiais militares e mesmo homens dos bombeiros contam, pedindo para não serem identificados, que moradores relataram ter visto um grupo de pessoas provocar intencionalmente o incêndio.

O secretário, que assumiu a existência desta suspeita, disse que no último incêndio na Tiquatira, no começo de julho, habitantes que supostamente perderam suas casas na ocasião já tentaram burlar os controles oficiais, para conseguir duplicar seus benefícios, ou seja, moradores que já estavam inclusos em programas habitacionais buscavam ampliar suas gratificações.

Por conta desses episódios – e considerando o fato de que este é o 2º incêndio na favela em um mês – o secretário disse que está sendo feito um rigoroso cadastro de quem teria sido afetado pelas chamas de hoje, em levantamento que irá cruzar as listas de candidatos aos projetos de moradia do governo.

Camargo disse que nesta sexta-feira (13) 100 barracos foram destruídos pelo fogo, sendo que 80 deles já estavam vazios. No total, a prefeitura estima que 2.000 famílias moravam no complexo Tiquatira. Dessas, 300 já estão em fase de ser atendidas pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e 760 já recebem o chamado bolsa-aluguel.

“As demais 900 que ainda aguardam atendimento podem tentar nos pressionar. É só uma hipótese, mas está sendo considerada”.

A reportagem do UOL Notícias percorreu algumas ruelas da favela após o trabalho de rescaldo dos bombeiros. Os próprios moradores afirmam que o clima no local é de desocupação já que a prefeitura anunciou que irá extinguir todo o complexo da Tiquatira, incluindo os moradores em programas habitacionais.

Um morador que diz estar há 12 anos na região, pedindo para não ser identificado, mostrou um documento da CDHU o convocando para comparecer ao escritório do órgão para iniciar a papelada para seu futuro apartamento. O documento foi assinado a primeira vez no dia 30 de junho. Ele, entretanto, confirmou que os moradores que não ainda foram beneficiados nem incluídos em listas oficiais estão insatisfeitos e poderiam ter tentado atear fogo criminosamente para conseguir a inclusão no programa. "Ninguém viu, mas o povo comenta. E se alguém tivesse visto, também não iria falar", disse.

Vítimas
Por volta das 20h40, cerca de dez carros do Corpo de Bombeiros ainda estavam no local do incêndio, que foi completamente extinto. Segundo o Corpo de Bombeiros, duas vítimas com ferimentos leves – uma sofreu um desmaio e a outra teve um ferimento no punho – foram encaminhadas ao pronto-socorro do Tatuapé. Nenhuma delas sofreu queimaduras.

Na favela, já é possível ver os barracos que sobraram, novamente iluminados pelos moradores que começam a voltar para suas casas após o final do fogo.

  • A área atingida pelo incêndio na favela Tiquatira fica sob o viaduto Domingos Franciulli Netto, perto da pista sentido Ayrton Senna da marginal Tietê, na Penha, zona leste de São Paulo

 

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