Acusado de golpear homem com taco de beisebol diz que agressão foi resposta à perseguição de "pagãos"

Arthur Guimarães

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O personal trainer Alessandre Fernando Aleixo, 39, acusado de ter agredido com um taco de beisebol o designer Henrique de Carvalho Pereira, 22, dentro de uma livraria na zona oeste de São Paulo, em 21 de dezembro de 2009, disse que os golpes que desferiu contra a vítima foram uma resposta “a pessoas que o perseguiam”. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (16) durante interrogatório no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital.

Segundo o que o réu afirmou ao seu advogado --o defensor público Mario Henrique Diticio—ao juiz e à promotora do caso, “pagãos” o perseguiriam por conta de sua fé cristã. “Ele disse que o ataque tinha como objetivo chamar a atenção da Justiça contra essa suposta conspiração”, afirmou a promotora Maria Gabriela Steinberg.

De acordo com ela, o agressor manifestou que estava inquieto com tal perseguição e deixou claro que também queria atingir a imagem da Livraria Cultura --local do crime--, especialmente a figura do presidente do estabelecimento, Pedro Herz, classificado por Aleixo como um “judeu”, portanto, “pagão”, integrante do tal grupo de pessoas que o ameaçavam.

A promotora disse que, além do depoimento de hoje, há outros indícios de o rapaz seja esquizofrênico. Em coletiva após a audiência, Steinberg afirmou que relatórios do sistema prisional já citam a possibilidade de que ele tenha distúrbios mentais. Em um exame médico de rotina, por exemplo, Aleixo já teria demonstrado aos médicos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros que sua argumentação é carente de lógica.

No interrogatório de hoje, o réu lembrou trechos da Bíblia Sagrada e, sem motivo aparente, citou por várias vezes o nome de Eloá Pimentel, garota morta em 2008 pelo namorado Lindemberg Alves em Santo André (SP) “Seu raciocínio não segue o raciocínio das pessoas normais. Ele relaciona fatos que são deconexos”, diz Steinberg, autora do pedido para verificar a sanidade de Aleixo, acatado pela juíza Tânia Magalhães da Silveira.

Policiais e autoridades que investigam o caso afirmam ter notado traços de estranhos no rapaz desde o dia da agressão: no taco que ele utilizou para atingir a vítima, por exemplo, estavam escritas frases desconexas, como “50% helicóptero” e “arigatô”. Um pouco antes da agressão, Aleixo entrgou um bilhete, em um dos balcões da livraria, com a mensagem “que desovem esse desgraçado”.

O laudo do IML (Instituto Médico Legal) de sanidade sai em 45 dias. Aleixo segue para o manicômio de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Se a Justiça entender que ele não possuía consciência do ato ilícito que praticou, deverá ser decretada uma medida de segurança que o levará para atendimento especializado pelo período de um a três anos--prazo que pode ser suplementado.

Caso seja considerado são, o réu pode ser condenado por tentativa de homicídio qualificado, cuja pena mínima, para o seu caso, é de oito anos.
 

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