Acampados na Câmara dos Deputados, policiais ameaçam greve geral

Camila Campanerut

Do UOL Notícias
Em Brasília

Com gritos de “sou brasileiro, com muito orgulho e muito amor” e entoando o hino nacional, mais de cem oficiais entre agentes penitenciários, policiais militares e bombeiros ameaçam nesta quarta-feira (18) iniciar uma greve geral e permanecer, até as eleições de outubro, acampados na Câmara dos Deputados, se necessário, até que os projetos da categoria sejam votados.

O grupo se reúne desde a noite de ontem no Salão Verde da Câmara para pressionar os parlamentares a votarem as PECs (proposta de emenda à Constituição) 300 – que regulariza um piso salarial nacional para policiais e bombeiros, e a 308 – que dá poderes de polícia aos agentes penitenciários.

Antes do recesso do meio do ano, os deputados chegaram a aprovar em primeiro turno a PEC 300, após um acordo entre o governo e as lideranças do setor. No entanto, o assunto ainda precisa ser votado em segundo turno na Câmara antes de ser enviado ao Senado. Contudo, essa já é a segunda semana de esforço concentrado dos parlamentares em que não há número suficiente de deputados nem acordo entre base e oposição para votar os temas em pauta. Ainda há três medidas provisórias que devem ser votadas antes das PECs.

“Queremos avançar e contar com o apoio dos Estados. O governo está querendo construir uma greve geral. E se for preciso ficaremos aqui até outubro”, afirmou o diretor da Febraspen (Federação Brasileira dos Servidores Penitenciários), Cláudio Viana, que dormiu esta noite no Congresso.

Na noite de ontem, houve confronto entre a Polícia Legislativa e os representantes dos policiais que invadiram o Câmara para assistir à sessão, encerrada sem votação.

Para o líder do governo Cândido Vaccarezza (PT-SP), a pressão dos oficiais não vai fazer diferença na tramitação das votações da Casa. “Não é assim que se faz democracia. Não é assim que se fazem as leis”, criticou.

Já os líderes do DEM e do PSDB, Paulo Bornhausen (DEM-SC) e João Almeida (PSDB-BA), continuam firmes na estratégia de manter a pauta obstruída até que se vote a regulamentação da emenda 29 – que define as contribuições na área da saúde da União, Estados e municípios. Eles prometem não votaram nada até que o assunto volte à pauta.

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