Diretores de presídio de AL são exonerados por suspeita de usar presos como mão-de-obra

Carlos Madeiro

Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Os diretores do Presídio de Segurança Média de Arapiraca foram exonerados dos cargos, após denúncias de que estariam utilizando os detentos como mão-de-obra para trabalhos em uma fazenda particular.

A exoneração foi feita na última terça-feira (17) após denúncia encaminhada à SDS (Secretaria de Estado da Defesa Social). Uma investigação administrativa inicial da Igesp (Intendência Geral do Sistema Penitenciário de Alagoas) apontou "fortes indícios" da irregularidade.

Além disso, eles são acusados de desviar madeira doada pelo Ibama (Instituto Brasieiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis) para uso pessoal. O Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas, que indicou o gerente-geral, nega as acusações e diz que se trata de "fofocas apócrifas".

Foram afastados da direção o gerente-geral da unidade, Jairo Protázio Ferreira; o gerente de segurança, Fábio Santana de Brito; e a gerente administrativa, Márcia Duarte de Oliveira. No lugar deles, até o momento, foi nomeado apenas o novo gerente-geral, Rosivaldo Ferreira Martins.

As denúncias foram feitas por um grupo de agentes penitenciários, que preparou um dossiê, também entregue ao Ministério Público. “Os presos saem das celas nas viaturas do presídio pagas pelo Estado para trabalhar na fazenda do diretor, fazendo cerca e plantações e com as madeiras doadas pelo Ibama ao presídio e que foram usurpadas pelo então diretor, que usa um caminhão mercedinha [sic] de um parente para carregar (furtar) as madeiras e outros materiais para seu uso pessoal em sua fazenda”, afirma o dossiê.

Ainda de acordo com o documento, dois presos seriam utilizados pelos gerentes para serviços particulares na citada fazenda, que fica em frente ao presídio. "O próprio preso não pode negar a existência desse crime. Os agentes que conduziram (escoltaram) esses presos até a fazenda do diretor não podem negar, pois é constante as saídas do presídio; o agente contratado chefe da guarda é o cúmplice de todo o esquema”, diz outra parte do documento.

Em nota oficial enviada à reportagem do UOL Notícias nesta sexta-feira (20), a Igesp confirmou que as exonerações aconteceram por conta das denúncias e supostos atos ilegais. “Os antigos gerentes foram apontados em várias denúncias pela prática de diversas irregularidades que começaram a ser apuradas. Após a constatação dos indícios das irregularidades denunciadas, a gerência foi afastada”, diz a nota.

Ainda segundo a Igesp, foi instaurada uma sindicância para “apuração rigorosa dos possíveis ilícitos administrativos”. Segundo apurou a reportagem, presos confirmaram à intendência a versão apresentada no documento de denúncia. A Polícia Civil informou que abriu um inquérito para apurar as denúncias, mas o caso segue em segredo de Justiça. O Ministério Público também confirmou que recebeu o dossiê e está apurando o caso.

Sindicato rebate denúncias
Responsável pela indicação do diretor Jairo Protázio, o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas disse que “a competência e os resultados positivos sucumbem diante da fofoca apócrifa”. “O bacharel e agente penitenciário, Jairo Protázio, em quatro meses, tirou o presídio do patamar de 'zona estatal', ou seja, cabaré [sic], e trouxe o presídio para a realidade pretendida passando a ser o modelo a ser seguido pelos demais gerentes das unidades prisionais do Estado”, afirma nota assinada pela diretoria executiva do sindicato.

O sindicato ainda defende resultados positivos da gestão exonerada e assegura que “foi implantada a disciplina necessária e reforçada a segurança daquela unidade, de modo que não houve se quer uma tentativa de fuga nesta unidade neste período”.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos