Durante ato no centro de SP, irmão de Mércia diz que sua família é vítima de ameaças

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Rahel Patrasso/ Futura Press

    Parentes da advogada Mércia Nakasima e de outras vítimas de violência realizaram uma manifestação na tarde desta sexta-feira (20) em frente ao Tribunal de Justiça na praça da Sé

    Parentes da advogada Mércia Nakasima e de outras vítimas de violência realizaram uma manifestação na tarde desta sexta-feira (20) em frente ao Tribunal de Justiça na praça da Sé

Em manifestação silenciosa organizada na tarde desta sexta-feira (20) na praça da Sé, no centro da capital paulista, Márcio Nakashima, irmão da advogada assassinada Mércia Nakashima, disse considerar sua própria família a principal punida pelo homicídio. Mércia desapareceu no dia 23 de maio e seu corpo foi encontrado no dia 11 de junho em uma represa em Nazaré Paulista (64 km de São Paulo). O ex-namorado, o também advogado Mizael Bispo de Souza, responde pelo crime, junto com seu suposto comparsa, Evandro Bezerra da Silva. O ato de hoje lembra os três meses do falecimento de Mércia.

Segundo Márcio, toda a semana algum parente recebe ligações telefônicas com ameaças e tentativas de intimidação para que a família deixe de divulgar o caso na imprensa. “Sou ameaçado de morte. Vivo com medo. Somos os verdadeiros prisioneiros nessa história. Tenho suspeitas (sobre o autor das ameaças), mas não seria correto falar sem provas”, disse, sem mencionar suas hipóteses.

Ele contou que sua outra irmã, Cláudia Nakashima, que também é advogada, praticamente não vai mais ao Fórum de Guarulhos por temer encontrar Mizael que, apesar de réu no processo, está em liberdade e continua trabalhando como advogado. "Ele (Mizael) está solto e andando por aí. E nós, intimidados e ameaçados", argumentou.

A manifestação de hoje, em frente ao Palácio da Justiça, reúne outras famílias que pedem a resolução de casos pendentes na Justiça. Cerca de 70 pessoas participam do ato com bandeiras do Brasil e faixas com rostos de vítimas mortas por homicídio ou erro médico.

Odenice Silva de Almeida, 50, veio de Cuiabá participar da manifestação. Ela conta que sua filha Heide Aparecida de Almeida foi morta aos 34 anos por um erro médico do Mato Grosso Segundo ela, o processo que investiga a morte ainda está inconclusivo. Odenice, assim como o irmão de Mércia, diz estar recebendo ameaças para que não leve a investigação adiante. “Estão até nos processando para tentar nos calar”, disse.

O processo de Mércia
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Mizael matou Mércia porque não se conformava com o fim do relacionamento entre ambos, tendo sido ajudado no crime pelo vigia. A Justiça aceitou a denúncia de homicídio, mas rejeitou a acusação por ocultação de cadáver - o MP entrou com um recurso na sexta-feira (13) para reverter essa desconsideração.

Nele, o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes sustenta que "pelas circunstâncias apuradas no inquérito policial, o desiderato dos recorridos [Mizael e Evandro] era não só matar a vítima, como também ocultar o seu corpo". "Caso contrário, não procurariam esconder os vestígios do crime e todo o corpo de delito, arremessando em local ermo e numa represa profunda, não só a vítima, como também seu automóvel e demais bens pessoais", completou Antunes.

Histórico
Mércia foi vista pela última vez no dia 23 de maio da casa dos avós em Guarulhos. Foi encontrada morta em 11 de junho na represa de Nazaré Paulista. Segundo a perícia, a advogada foi agredida, baleada, teve a mandíbula quebrada e morreu afogada dentro do próprio carro no mesmo dia em que sumiu.

Para denunciar Mizael e Evandro, o promotor do caso alegou que as provas determinantes foram a quebra do sigilo telefônico e os depoimentos contraditórios do vigia.

Mizael tinha um celular, registrado em nome de terceiros, com o qual conversou 16 vezes com o suposto comparsa no dia do crime. Além disso, a polícia descobriu que, sempre que falava com o vigia, voltava a ligar para a ex-namorada.

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