Maioria dos brasileiros ainda não tem acesso à rede de esgoto, diz IBGE

Guilherme Balza
Do UOL Notícias

Em São Paulo

  • Reprodução/IBGE

    Gráfico mostra o percentual de municípios por Estado que fazem tratamento do esgoto

    Gráfico mostra o percentual de municípios por Estado que fazem tratamento do esgoto

A maior parte dos domicílios brasileiros não tinha, em 2008, acesso à rede geral de esgoto e, nesse quesito, havia uma enorme discrepância entre as regiões brasileiras. Essas conclusões foram apontadas na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, divulgada nesta sexta-feira (20) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Mais da metade dos municípios brasileiros sofre com enchentes, diz IBGE

Entre 2003 e 2008, mais da metade dos municípios brasileiros sofreu alagamentos ou inundações por conta da ação das chuvas. Dos 5.265 municípios do país que possuem algum tipo de controle sobre as águas das chuvas --desde sarjetas até galerias subterrâneas--, 2.696, ou 51,3%, declararam ter sofrido alagamentos ou inundações no período analisado.

Os dados da pesquisa foram coletados ao longo de 2008 e referem-se aos 12 meses anteriores à data de cada entrevista. Foram ouvidas prefeituras, companhias estaduais e municipais de saneamento básico, fundações, consórcios intermunicipais, empresas privadas da saneamento e associações comunitárias.

Segundo o levantamento, 56% dos domicílios brasileiros não possuíam, em 2008, ligação com a rede de esgoto, o que representa 32 milhões de unidades, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Embora a maioria dos brasileiros ainda não tenha acesso ao serviço, o percentual de domicílios atendidos subiu na última década, já que em 2000 66,5% das unidades não estavam ligadas à rede de esgoto --cerca de 31,8 milhões de domicílios, considerando dados do Censo 2000.

Em 2008, o percentual de domicílios sem rede de esgoto era maior na região Norte, onde 96,2% das unidades não eram atendidas. Nas regiões Nordeste e Sul, a proporção também era inferior à média brasileira, com 77,6% e 68,8% de domicílios, respectivamente, sem acesso. Apenas na região Sudeste a minoria das unidades não possuía rede de esgoto (31,2%).

Entre as unidades da federação, a população mais atendida era a do Distrito Federal (86,3% de domicílios com rede de esgoto), seguido por São Paulo (82,1%), Minas Gerais (68,9%), Rio de Janeiro (49,2%) e Paraná (46,3%). Na outra ponta do ranking, com as menores coberturas, estavam Amapá (3,5%), Pará (1,7%) e Rondônia (1,6%).

A pesquisa também revelou que apenas 28,5% dos municípios brasileiros faziam tratamento de esgoto em 2008, com destaque negativo para as regiões Norte (7,6% dos municípios) e Nordeste (7,6%). O melhor desempenho nesse quesito é do Sudeste, com 48,4% dos municípios com tratamento de esgoto, seguido pelo Centro-Oeste (25,3%) e pelo Sul (42,9%).

Com "lixões" proibidos, Brasil terá que dar outro destino para metade do lixo do país

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou no último dia 2 a lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que, entre outras medidas, determina que Estados e municípios acabem com os tradicionais "lixões". Agora, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta sexta-feira (20), o poder público terá que encontrar outro destino para metade de todo o lixo produzido no país.

Com relação aos Estados, o estudo mostrou que havia maior percentual de municípios com tratamento em São Paulo (78,4%), Espírito Santo (69,2%) e Rio de Janeiro (58,7%). Os piores resultados foram verificados no Maranhão (1,4%), Piauí (2,2%), Rondônia (3,8%), Pará (4,2%) e Amazonas (4,8%). O percentual do esgoto coletado no país que foi tratado subiu de 19,9%, em 1989, para 35,3%, em 2000, saltando para 68,8% em 2008.

Abastecimento de água
A desigualdade regional também esteve presente, segundo a pesquisa, na distribuição de água por rede geral. No Brasil, 78,6% (45,3 milhões) dos domicílios eram abastecidos em 2008, contra 63,9% (34,6 milhões) em 2000.

Na região Norte, contudo, apenas 45,3% das casas recebiam água via rede em 2008. Em contrapartida, 87,5% dos domicílios na região Sudeste eram atendidos, quase o dobro do percentual do Norte. No Sul, 84,2% recebiam água; no Centro-Oeste, 82%; e no Nordeste, 68,3%.

O IBGE apontou ainda que 61,6% dos municípios brasileiros distribuíam água tratada, 6,2% oferece água parcialmente tratada e 6,6% entrega água sem qualquer tratamento. Piauí (24,3%) e Maranhão (21,8%) têm os maiores percentuais de municípios que não tratam a água.

O levantamento revelou também que em 1.296 municípios brasileiros ocorriam racionamentos de água, o que representa 23,4% do total. Entre as regiões, as maiores ocorrências eram no Nordeste (40,5%) e Norte (24,9%). Nos Estados, havia mais racionamento em Pernambuco (77,3% dos municípios), Ceará (48,9%), Rio Grande do Norte (46,7%), Amazonas (43,5) e Pará (41,4%).

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