Tiroteio na zona sul do Rio deixa um morto; criminosos se entregam após fazer reféns em hotel

Do UOL Notícias*

Em São Paulo e no Rio de Janeiro

  • Domingos Peixoto / Agência O Globo

    Pessoas deixam hotel Intercontinental, na zona sul do Rio, após criminosos invadirem o local e fazerem reféns depois de um tiroteio com a polícia

    Pessoas deixam hotel Intercontinental, na zona sul do Rio, após criminosos invadirem o local e fazerem reféns depois de um tiroteio com a polícia

Um tiroteio entre criminosos e policiais assustou moradores no bairro de São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, na manhã deste sábado (21). Uma mulher morreu e quatro policiais ficaram feridos sem gravidade, segundo dados da Polícia Militar. A polícia diz que a vítima, identificada como Adriana Oliveira dos Santos, era integrante do grupo, trabalhava para o tráfico de drogas na favela da Rocinha e tinha um mandado de prisão expedido contra ela.

Durante a fuga, os criminosos invadiram o hotel Intercontinental, que fica na avenida Aquarela do Brasil. Segundo informações do coordenador de comunicação Social da PM, coronel Lima Castro, um grupo de dez homens fez 35 reféns (30 funcionários e cinco hóspedes), mas se rendeu por volta das 11h. "Eles tinham forte armamento: eram oito fuzis, cinco pistolas, além de muita munição e algumas granadas", disse. Nenhum refém foi ferido. Os presos foram encaminhados para a 15ª DP da Gávea. A polícia terminou a varreadura no local por volta das 15h.

Policiais do Bope, grupo de elite da PM, negociaram a rendição dos criminosos e a liberação dos reféns, que estavam concentrados na cozinha. Além do Bope, participaram da operação homens do batalhão de choque e dos 22º e 23º Batalhões da PM.

Testemunhas relatam pânico durante tiroteio


A mãe de um dos bandidos, morador da Rocinha, chegou a ser chamada para convencer o filho a se entregar. "Eu pedi, mas ele não quis me ouvir", disse, chorando muito na porta do hotel.

 

A ação
O tiroteio começou, segundo a Secretaria de Segurança Pública, por volta das 8h30. De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Henrique Lima Castro, eram cerca de 60 os bandidos que faziam parte do comboio encurralado pela polícia, divididos entre cerca de cinco vans e muitas motocicletas. A polícia ainda não sabe de onde vinha o comboio e trabalha com diversas hipóteses, desde a chegada de alguma festa até a organização de alguma operação criminosa.

Os túneis Zuzu Angel e Acústico, na Gávea, chegaram a ficar fechados e muitos motoristas, assustados, voltaram de marcha-ré na via.

Segundo testemunhas, pouco antes das 9h, durante o tiroteio, dez bandidos estavam encurralados e procuraram refúgio no hotel Intercontinental. O publicitário Daniel Andrade, morador de São Conrado, diz ter visto vários criminosos armados pularem o muro de seu condomínio para chegarem até o hotel. “É a segunda vez nos últimos anos que eu vejo bandidos fortemente armados na rua”, disse o morador.

Veja a localização do hotel Intercontinental


Michel Chertouh, gerente do Intercontinental, conta como foi a invasão: “No momento a gente ouvia um tiroteio que estava acontecendo fora. De repente, [houve] gritos de que eles estavam entrando armados dentro do hotel. Acredito que fosse a única opção que tinham no momento. Tanto que um deles falou ‘É burrice, é burrice’”, disse Chertouh, que é francês e está trabalhando no Rio de Janeiro há dois anos e meio.

Entre hóspedes, funcionários e participantes de um congresso de odontologia, havia cerca de 1.500 pessoas no hotel no momento da invasão. Dos 35 reféns, cinco eram hóspedes e trinta eram funcionários.

 

Dois hóspedes, Rosana Alioli, 47, e Mércio Franco, 49, relatam que estavam tomando café quando um funcionário entrou e pediu calma a todos, informando que criminosos tinham invadido o local. “Entre 40 e 60 pessoas foram levadas para uma sala”, relata o casal mineiro que estava na capital fluminense para participar da meia-maratona, que acontece amanhã na cidade.

Segundo o gerente, o hotel conta com seguranças no elevador e no saguão, mas nenhum na porta do prédio.

“A negociação foi rápida. Até porque não é o nosso padrão demorar muito”, afirmou o comandante do Bope, tenente-coronel Paulo Henrique. Num primeiro momento, seis pessoas foram liberadas. Em seguida, os bandidos se entregaram e os demais vinte e nove reféns foram soltos. Não houve troca de tiro dentro do hotel.

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Dez presos
De acordo com o secretário de Segurança Pública, todas as dez pessoas presas são da Rocinha, a maior favela da América Latina, onde moram mais de 100 mil pessoas. Das dez, nove já tinham passagem pela polícia. Entre elas estão o traficante conhecido como “Perna”, número dois na hierarquia do tráfico de drogas da favela e o irmão de “Zidane”. Em 2008, a polícia matou Zidane, que também era um dos líderes do tráfico na favela.

A polícia investiga ainda se Francisco Bonfim Lopes, conhecido como “Nem” e comandante do tráfico na favela, estava no comboio de bandidos que entrou em confronto com policiais. 

*Com informações do colaborador Daniel Milazzo

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