Com vagões já nos trilhos, metrô de Salvador só entra em operação no ano que vem

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias

Em Salvador

  • Xando Pereira/A Tarde/Agência O Globo

    Os trens do Metrô de Salvador foram retirados do depósito em Simões Filhos na quinta-feira (19); eles estavam armazenados no local desde 2008

    Os trens do Metrô de Salvador foram retirados do depósito em Simões Filhos na quinta-feira (19); eles estavam armazenados no local desde 2008

Após uma década de espera, a população da capital baiana assistiu na última sexta-feira (20) ao posicionamento sobre os trilhos dos primeiros quatro vagões do metrô de Salvador. Outros 20 serão posicionados até o final dessa semana. Entretanto, os equipamentos ainda precisarão passar por uma fase de testes, que se iniciará no mês de setembro e, segundo a prefeitura, se tudo estiver em ordem, o metrô começa a funcionar no próximo ano, em data ainda a ser definida.

Desde 2008, os 24 vagões adquiridos pelo governo do Estado estavam armazenados na Estação Aduaneira do Interior (Eadi), no município vizinho de Simões Filho.

O secretário de infraestrutura da prefeitura, Euvaldo Jorge, acredita que no primeiro semestre de 2011 a população possa começar utilizar o metrô comercialmente. “Precisamos ter a garantia de que os trens estarão prontos. Não podemos dizer agora o dia. Só depois de tudo pronto. Esperamos que seja até o final do primeiro semestre”, disse. Conforme o secretário, a fase agora diz respeito às revisões elétrica e mecânica de cada vagão.

Os equipamentos foram adquiridos por meio de empréstimo do Banco do Brasil, no valor de aproximadamente US$ 50 milhões. Cada um dos seis trens possui quatro vagões (dois do tipo reboque e dois do tipo motor), com capacidade para até 1.250 passageiros.

Histórico de atrasos
As obras do metrô de Salvador começaram há dez anos, sob responsabilidade do consórcio Metrosal, formado pelas empresas Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Siemens. O cronograma previa a construção de 12 quilômetros, na primeira etapa do projeto, que deveria estar concluída em quatro anos.

Desde então, sucessivas suspensões da obra foram determinas pela Justiça devido a suspeitas de irregularidades, incluindo superfaturamento. Também as greves dos trabalhadores prejudicaram o andamento dos trabalhos.

Durante esses anos, o projeto original passou por um processo de reformulação que o reduziu à metade a meta de construção, resumindo-se a seis quilômetros. As obras já consumiram cerca de R$ 1 bilhão dos cofres públicos, quando a previsão era de R$ 400 milhões para todo o percurso de 12 quilômetros – que ligava o centro da cidade aos bairros de Pau da Lima e Pirajá, dois dos mais populosos da capital.

“A população que mora no subúrbio e que mais necessita desse tipo de transporte não será completamente atendida. Terá que ficar pela metade do caminho”, comenta Paulo Roberto Silva dos Santos, secretário-geral do Sindicato da Indústria Pesada, que congrega os trabalhadores do metrô.

“Pelo menos que eu tenha conhecimento, não existe outro [metrô] com essa extensão [de seis quilômetros]. Além de todo esse atraso, só se faz pela metade. É mesmo um absurdo. Só aqui na Bahia”, afirma.

Especialista em Políticas de Planejamento de Transportes, a professora da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Cira Souza Pitombo, concorda com Santos.

Segundo ela, o atual projeto, além de não atender a população, não resolverá os problemas provocados pela crescente frota de automóveis e motocicletas, que torna cada vez mais caótico o trânsito na capital baiana. Pitombo ressalta que, para a operacionalização a contento dessa primeira linha do metrô, será necessário um projeto de integração com os ônibus da região atendida, “muito eficiente”, do contrário, não funcionará.

No entendimento da professora, mesmo o projeto original, com todas as suas etapas concluídas, prevendo a abrangência de 40 km, hoje já estaria obsoleto. “O trânsito em Salvador na atualidade é completamente diferente do que existia há dez anos”, diz ela, observando que o grande desafio do momento é oferecer um transporte público de qualidade, que motive os donos de carros a deixarem os seus veículos em casa.

Para isso, ressalta, o metrô teria que atender à clientela cativa do transporte coletivo e a essa outra que anda de carro. “Se a primeira etapa fosse concluída na íntegra, já não proporcionaria esse resultado, quanto mais sendo apenas seis quilômetros.”

A professora chama ainda atenção para o custo benefício de uma linha tão curta. “O subsídio de uma tarifa de metrô para percorrer apenas seis quilômetros terá que ser muito alto”, garante.

Embora a metade da primeira etapa ainda não esteja completamente finalizada, os governos estadual e municipal planejam a conclusão dos 12 quilômetros para a Copa do Mundo de 2014.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos