Defesa de filha do casal Villela se diz otimista com habeas corpus

Camila Campanerut

Do UOL Notícias
Em Brasília

O advogado Rodrigo Otávio Barbosa de Alencastro disse nesta segunda-feira (23) acreditar que a Justiça do Distrito Federal deve julgar e aceitar nesta semana o pedido de habeas corpus para libertar a filha do casal Villela, a advogada Adriana Vilela, presa na última segunda-feira (16), sob acusação de atrapalhar as investigações sobre o triplo assassinato.

“Eu confio que [irá aceitar]sim. Espero a apreciação da Justiça do Distrito Federal. Não há elementos para a manutenção dela na prisão. Não há justificativa técnica”, afirmou Alencastro.

Na última sexta-feira (20), o desembargador Romão Cícero, da 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios negou o pedido de habeas corpus em caráter liminar. Agora, a ação será submetida ao Tribunal de Justiça para que os méritos sejam julgados.

O desembargador, no entanto, liberou ainda na sexta-feira o policial civil José Augusto Lopes, que atuava ao lado da ex-delegada-chefe da 1ª Delegacia de Polícia Martha Vargas, que comandava o caso, mas foi afastada.

Além dos dois, a suposta vidente Rosa Maria Jaques e seu marido, João Tocchetto, ambos procedentes de Porto Alegre (RS), chegaram a Brasília, na última quarta-feira (18), onde permanecem presos.

A vidente é suspeita de ter sido instruída para “fingir” uma revelação paranormal e incriminar falsos autores, com a ajuda do marido e a mando de Adriana.

O caso

O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, sua mulher, Maria, e a empregada do casal, Francisca Nascimento, foram encontrados mortos com um total de 73 facadas dentro da casa de Villela em Brasília em agosto do ano passado. A investigação sobre o caso corre em segredo de Justiça e completa no fim do mês um ano ainda sem resolução.

A primeira hipótese da polícia era de latrocínio (roubo seguido de morte), por terem sido roubadas joias da família. A investigação tomou outro rumo com a denúncia da vidente Rosa Maria Jaques, em setembro de 2009, que levou os policiais a dois suspeitos, que estariam com a chave do apartamento. Pelo menos três suspeitos foram presos por um mês e liberados por falta de provas.

Em abril deste ano, a delegada Martha Vargas, que comandava as investigações, foi afastada do caso, que agora está sob responsabilidade da delegada Mabel Faria, da Corvida (Coordenação de Investigação dos Crimes contra a Vida) da Polícia Civil.

A Corregedoria da Polícia Civil investiga a atuação de Martha Vargas e trabalha com duas hipóteses relacionadas à "polêmica sobre as chaves da residência do casal": a de que as chaves teriam sido substituídas por engano na delegacia ou “colocadas” na casa dos suspeitos propositalmente para incriminá-los.

Se comprovado o erro da troca das chaves, a delegada poderá responder às sanções que vão de advertência até expulsão. E se comprovada a intenção de plantar a prova, poderá pegar de três meses a dois anos de prisão.

Os herdeiros da família são Adriana e Augusto Villela. Segundo a defesa de Adriana, a polícia afirma que sua cliente não tinha bom relacionamento com os pais. Já Adriana alega ter sofrido “tortura psicológica” durante as apurações do caso. Seus advogados entraram com um pedido na Ordem dos Advogados do Distrito Federal para acompanhar as investigações e o conselheiro Eduardo Toledo foi designado para a missão.

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