Para Riotur e associação hoteleira, turismo não será afetado após invasão de hotel

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

  • Bruno Domingos/Reuters

    Polícia cerca hotel Intercontinental, em São Conrado, zona sul do Rio, após criminosos invadirem o local

    Polícia cerca hotel Intercontinental, em São Conrado, zona sul do Rio, após criminosos invadirem o local

As cenas de violência no bairro de São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, no último sábado (21), foram reproduzidas em diversos países. Após um intenso tiroteio com policiais, dez traficantes armados com fuzis e pistolas fizeram 35 reféns em um hotel de luxo durante mais de 2h. À frente da Secretaria Municipal de Turismo (Riotur), Antônio Pedro Figueira de Mello, entretanto, não crê que o caso vá afugentar os turistas.

“A gente não esconde os nossos problemas, sabemos que é um problema e que está sendo combatido (...). O grave seria se nós não estivéssemos enfrentando essa situação”, afirma.

“Os Estados Unidos e a Inglaterra são dois países que possuem uma série de problemas em relação ao terrorismo. Nós temos o problema do tráfico de drogas. Mas não é por causa disso que as pessoas deixam de visitar Nova York ou Londres”, comparou.

Mas o hotel Intercontinental, cenário da violência, já sentiu os efeitos dos acontecimentos de sábado. No final de semana, o hotel registrou 73 cancelamentos – nesse número estão somados tanto check out antecipados quanto desistências de pessoas que já tinham feito a reserva.

No dia do tiroteio, todos os 418 quartos do hotel estavam ocupados. Uma taxa rara, segundo a assessoria do Intercontinental, que trabalha com uma média de ocupação entre 70% e 80%. Uma das razões era a proximidade do local de largada da edição anual da Meia Maratona do Rio de Janeiro, realizada no domingo (22). No momento da invasão, havia um total de 1.500 pessoas nas dependências do hotel.

A gerência do Intercontinental prefere não divulgar os prejuízos decorrentes da ação criminosa argumentando que os números são de pouca relevância dentro da contabilidade mensal do estabelecimento. Os preços de uma diária para casal no hotel variam de R$ 460 a R$ 1.140.

“Hotel não é bunker”
Alfredo Lopes de Souza Júnior, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio de Janeiro (ABIH-RJ), tampouco acredita numa queda no fluxo de visitantes. Ele afirma que atualmente o assunto considerado mais crítico em relação ao Rio de Janeiro no meio hoteleiro não é à segurança e sim a malha de transportes da cidade.

Para Souza Júnior, a invasão do Intercontinental foi uma “fatalidade”. “Nenhum estabelecimento está preparado para a uma invasão de dez caras armados. Não cabe à segurança de nenhum estabelecimento rechaçar. Seria uma carnificina dentro do hotel. A segurança é um encargo público, não do estabelecimento. Acho que os hotéis não têm que fazer nada a mais do que fazem”, disse, rejeitando reformulações no esquema de segurança.

Embora alegue não poder divulgar detalhes de seu aparato de segurança, o hotel localizado em São Conrado descarta ampliar a vigilância e retifica que seus agentes não trabalham com arma de fogo.

“Hotel é hotel, não é bunker”, afirma o secretário da Riotur. “A gente nem quer que os hotéis tenham estrutura para enfrentar [bandidos] porque senão isso vira um quadro de confronto. As forças que estão preparadas para fazer esse tipo de enfrentamento são de segurança pública”, ressalta.

Segundo o presidente da ABIH-RJ, não há restrições legais quanto ao uso de segurança armada em hotéis. No entanto, ele é contra a adoção de tal medida. “A prática do dia-a-dia nos mostra que não é viável, não é bom se ter vigilância armada dentro de locais de grande afluxo de pessoas”, considera.

Criminosos foram indiciados
Dos dez bandidos presos em flagrante, nove foram indiciados por três crimes: cárcere privado, associação para o tráfico, além de porte ilegal de armas e explosivos. Um menor que fazia parte do grupo foi apreendido e encaminhado até um instituto de reabilitação de jovens na Ilha do Governador.

Junto com os traficantes, foram apreendidos oito fuzis, cinco pistolas, três granadas, rádios transmissores e muita munição. Uma mulher, Adriana Duarte Oliveira dos Santos, foi morta no confronto. Segundo a polícia, ela era a responsável pela contabilidade do tráfico de drogas na favela. Um dos homens presos, conhecido como Perna, é o número dois na hierarquia do tráfico na Rocinha.

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