Três médicos e dois meses depois, jovem descobre faca dentro do corpo

Luiz Felipe Fernandes
Especial para o UOL Notícias

Em Goiânia

  • Paula Sales/Especial para o UOL Notícias

    A lâmina de 15 cm foi cravada nas costas de Wênyo Batista de Araújo (foto) durante uma briga no dia 12 de junho, mas só foi descoberto no dia 17 de agosto

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    Após ser atendido, e liberado, por três médicos, o jovem suportou dores intensas por mais de dois meses, até que decidiu procurar um posto de saúde

Um jovem de 18 anos de Goiânia (GO) vive há dois meses e meio com a lâmina de uma faca dentro do corpo. O objeto de 15 centímetros foi cravado na parte superior das costas de Wênyo Batista de Araújo durante uma briga no dia 12 de junho, mas só foi descoberto no dia 17 de agosto, mesmo ele tendo sido atendido por três médicos do maior hospital de urgências da região centro-oeste.

Segundo Araújo, era noite do Dia dos Namorados e ele foi levar a garota com quem estava se relacionando há dois meses para a casa dela, no setor norte ferroviário, próximo à rodoviária de Goiânia. No caminho, foram abordados pelo ex-namorado da jovem.

“Ele começou a agredir minha namorada, enforcando ela”, relata. Araújo diz que se aproximou do agressor e pediu para que ele a soltasse. Quando virou as costas, sentiu um impacto logo abaixo do ombro esquerdo, que ele descreve como tendo sido “um murro e um choque”.

Sangrando, o jovem foi levado para o Hospital de Urgências de Goiânia por volta das 23h. Segundo ele, o médico que o atendeu pediu que fosse feita uma radiografia do tórax. Ao receber o exame, teria comentado que o raio-x não tinha ficado bom e deu apenas alguns pontos no ferimento.

Na mesma noite, encaminhado para outro médico, recebeu a orientação de que poderia voltar para casa e que retornasse no outro dia para fazer uma nova avaliação. Araújo explica que no dia seguinte foi examinado por uma médica. “Ela tirou o curativo, disse que não tinha nada de grave e me deu atestado para três dias”, afirma.

A mãe do jovem, Ana Marta da Silva, conta que ainda insistiu para que a médica liberasse o filho por mais dias, dada a gravidade do ferimento, e lembrou que o médico que o atendeu no dia anterior havia recomendado que fosse feito um novo raio-x. Segundo Silva, a médica respondeu que não havia necessidade.

Dor e inchaço
Em poucos dias Araújo voltou ao trabalho –ele é entregador em uma padaria na região central de Goiânia. Segundo ele, o ferimento estava inchado e não era possível nem mesmo levantar o braço.

O jovem suportou dores intensas por mais de dois meses, até que decidiu procurar um posto de saúde. O médico que o atendeu solicitou uma nova radiografia. Com o exame, ficou constatado que Araújo estava com a lâmina da faca dentro do corpo.

Denúncia
A mãe do jovem conta que só resolveu tornar o caso público por insistência da família da namorada do filho. Hoje eles estiveram no IML (Instituto Médico Legal), onde ficou constatado que a lâmina não entrou no tórax e, por isso, atingiu apenas pele e músculos, sem ameaçar órgãos vitais.

Mãe e filho também foram ao 2º Distrito Policial para registrar um boletim de ocorrência. Segundo o delegado Murilo Polati Rechinelli, foi aberto um inquérito para apurar se houve tentativa de homicídio.

Na delegacia foi verificado que o suposto agressor tem duas passagens pela polícia, ambas por agressão, registradas justamente pela namorada de Araújo. O delegado disse que vai intimar o suspeito a depor e, caso ele não compareça, pode solicitar sua prisão preventiva.

Ele também orientou a vítima a procurar o 8º DP para investigar se houve erro médico. A família desconfia que a primeira radiografia feita no hospital pertencia a outro paciente.

Cirurgia
“Está todo mundo abalado. Se não tivéssemos tomado essas providências, ele poderia ficar com a faca no corpo até morrer”, desabafa a mãe. A cirurgia para retirar a lâmina está marcada para sábado de manhã, na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que a diretoria-geral do Hospital de Urgências de Goiânia convocou os profissionais responsáveis pelo atendimento do jovem para que eles façam um relatório a respeito do caso. Esse documento será enviado ao Cremego (Conselho Regional de Medicina de Goiás), que investigará se houve erro médico.

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