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Cotidiano

Cerca de 2.800 sem-teto ocupam prédios abandonados no centro de São Paulo

Vinicius Konchinski <br>Da Agência Brasil

Em São Paulo

04/10/2010 18h32

Cerca de 2.800 pessoas ocuparam hoje (4) quatro edifícios do centro de São Paulo. Eles entraram nos prédios durante a madrugada e se instalaram em apartamentos e salas vazias, em alguns casos, há mais de 20 anos.

A ocupação faz parte de um protesto promovido pela Frente de Luta por Moradia (FLM) e busca chamar a atenção de políticos federais, estaduais e municipais para a dificuldade das famílias que têm renda mensal de até três salários mínimos (R$ 1.530) em conseguir uma moradia na maior cidade do país.

“Não existe uma política habitacional para nós”, afirmou Carmem da Silva Ferreira, uma das coordenadoras do Movimento Sem Teto do Centro de São Paulo (MSTC), que também participa das ocupações. “Não queremos nada de graça. Queremos pagar pela nossa casa, mas queremos pagar um preço justo”, disse.

Carmem da Silva é gerente de vendas de uma corretora de seguros e mora em um apartamento alugado com os cinco filhos. É também uma dos 700 ocupantes do edifício localizado na Avenida Nove de Julho, 584.

O prédio pertence ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, desde 1997, é reivindicado por movimentos pela habitação. Hoje, degradado, o prédio está cercado por policiais militares que impedem a entrada de ocupantes que, por alguma motivo, deixaram o edifício. “Temos um pouco de água que conseguimos com vizinhos”, conta Carmem, de cima do muro que isola o prédio. “Se acabar, não sei o que vamos fazer. Não podemos sair daqui.”

Além do prédio da Avenida Nove de Julho, mais três também foram ocupados: na Avenida São João, na Avenida Prestes Maia e na Avenida Ipiranga. O prédio da Ipiranga, altura do 925, inclusive, é o que abriga o maior número de manifestantes, 1,2 mil, de acordo com a FLM. “Estamos surpresos”, afirma Heloísa Soares, que coordena a ocupação do prédio. “O edifício é totalmente habitável. Está em boas condições, tem banheiro em todos os quartos.” Segundo ela, os ocupantes só vão sair dos prédios quando o governo apresentar uma solução para a situação de moradia de todos.

O INSS informou na tarde de hoje que o prédio ocupado já foi destinado ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR) do Ministério das Cidades, em 1998. Porém, problemas envolvendo as matrículas do imóvel impedem a sua destinação a habitação popular. Enquanto eles não forem resolvidos, o INSS não aceita a ocupação. O órgão informou que pedirá reintegração de posse do imóvel à Justiça.

O Ministérios das Cidades informou que já contratou, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, a construção de 1.076 casas destinadas a famílias paulistanas com renda mensal de até R$ 1.395, mas não disse quantas dessas casas já foram entregues. A Secretaria Estadual de Habitação afirmou que não recebeu nenhuma reivindicação oficial dos ocupantes dos imóveis. Por isso, não se pronunciou sobre o assunto. Já a Secretaria Municipal de Habitação convidou líderes da FLM para uma reunião agendada para às 13h de hoje, mas informou que nenhum representante dos sem-teto compareceu.

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