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Amazonas tem quatro deslizamentos em duas semanas; cinco continuam desaparecidos

Bombeiros continuam buscas por dois desaparecidos após deslizamento no porto de Chibatão - Luiz Vasconcelos/A Crítica/AE
Bombeiros continuam buscas por dois desaparecidos após deslizamento no porto de Chibatão Imagem: Luiz Vasconcelos/A Crítica/AE

Guilherme Balza

Do UOL Notícias* <BR> Em São Paulo

19/10/2010 18h06

Pelo menos quatro deslizamentos de terra atingiram trechos localizados nas margens dos rios Negro e Solimões, no Amazonas, nas últimas duas semanas. Os deslizes ocorreram em Manaus, Manacapuru, Iranduba e São Paulo de Olivença. Cinco pessoas estão desaparecidas --entre elas, três crianças.

O último deslizamento aconteceu em Manacapuru (a 80 km de Manaus), no bairro Terra Preta, às 5h desta terça-feira (19). Duas casas --uma delas flutuante-- foram atingidas. Três irmãos estão desaparecidos: Beatriz da Silva Leite, 10; Zilvana da Silva Leite, 5; e Anderson da Silva Leite, 1, segundo informações do Corpo de Bombeiros.

Além dos bombeiros de Manacapuru, 20 homens do batalhão de Manaus e três da Força Nacional, além de um cão farejador, estão ajudando nas buscas às crianças. Outras duas casas correm o risco de desabar.

Porto Chibatão
Nesse domingo (17), um deslizamento atingiu o porto Chibatão, em Manaus, e causou o afundamento de mais de 60 contêineres e 40 baús de carga nas margens do rio Negro, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Silvio Barbosa, 31, e Pedro Paulo da Silva, 63, que trabalhavam no porto --que é de propriedade particular-- estão desaparecidos.

O acidente ocorreu em uma área equivalente a dez campos de futebol, onde estava sendo feita uma obra de terraplanagem. Pelo menos 95 bombeiros trabalham nas buscas --85 homens em terra e 10 mergulhadores, apoiados por três lanchas e uma balsa com retroescavadeira.

As equipes também trabalham para retirar os equipamentos submersos, além de cobrir a área com sacos plásticos para evitar que as carretas localizadas às margens possam ser atingidas por novos deslizamentos.

O geólogo Antonio Gilmar Honorato, do Serviço Geológico Nacional em Manaus, afirmou que há uma espécie de “caminho d’água” que passa embaixo da porção de terra que deslizou. “É possível que esse caminho d’água tenha causado uma ruptura, e o muro de contenção não tenha resistido à carga”, diz. De acordo com ele, não é possível dizer se havia alguma irregularidade na obra de terraplanagem.

Até o momento, a Defesa Civil não divulgou as causas do deslizamento e os impactos ambientais causados na região. A Polícia Civil iniciará uma perícia nos próximos dias. Também não há uma estimativa do prejuízo causado.

O porto Chibatão é o maior complexo portuário privado do Amazonas e está localizado à margem esquerda do rio Negro, com uma área de 217 mil metros quadrados.

Os equipamentos que afundaram carregavam insumos para o comércio e polo industrial de Manaus. De acordo com os bombeiros, não houve derramamento de produtos químicos no rio.

Outros deslizamentos
Ontem, um outro deslizamento atingiu o município de Iranduba (a 22 km de Manaus), que fica na margem direita do rio Negro. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve vítimas e danos materiais.

Há duas semanas, em São Paulo de Olivença (a 955 km de Manaus), 25 casas foram totalmente destruídas e 39 ficaram danificadas por deslizamentos de terra provocados pelo baixo nível do rio Solimões.

“Terras caídas”
Segundo o geólogo Antonio Gilmar Honorato, os deslizamentos --com exceção do ocorrido em Manaus-- foram provocados por um fenômeno conhecido como “terras caídas”, comum na região Amazônica durante o período de estiagem (entre maio e outubro). “O rio vai provocando seguidas erosões nas margens e, quando o nível da água diminui, as encostas ficam expostas. Como não há mais a água para segurar [as encostas], a terra desliza”, explica.

O sismólogo Marcelo Assunção, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo), descarta a hipótese de que tremores na região ou reflexos de sismos ocorridos nos Andes tenham influenciado nos deslizamentos. “Não temos notícias de tremores de terra na Amazônia, e os terremotos na região Andina não causam impacto em eventos como esses”, diz.

*Com informações da Agência Estado

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