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Pai de Mércia diz que revogação da prisão de Mizael incentiva crimes contra mulher no Brasil

Arthur Guimarães

Do UOL Notícias <BR> Em Guarulhos (SP)

20/10/2010 13h36

Macoto Nakashima, pai da advogada Mércia Nakashima, morta em maio deste ano, disse que a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em manter a revogação da prisão preventiva de Mizael Bispo de Souza, acusado pelo crime, é um incentivo à prática de crimes contra a mulher no Brasil. A afirmação foi feita antes do início do terceiro dia da audiência de instrução do processo judicial judicial do caso. A decisão do TJ-SP foi tomada nesta quarta-feira (20).

“Foi uma ducha de água fria, pois isso faz com que a incidência de crimes contra a mulher aumente no país”, afirmou Macoto, após cumprimentar cerca de 30 pessoas que estavam em frente ao Fórum de Guarulhos. Em seguida, o pai de Mércia comentou o fato de ter que estar frente a frente com o suposto assassino de sua filha. “É terrível saber que essa pessoas deu fim á vida de minha filha.”

A audiência deve acabar hoje. Serão ouvidas três testemunhas do juízo, chamadas pelo magistrado Leandro Bittencourt Cano. Entre os interrogados, estará o perito criminal Renato Pattoli, que coordenou a investigação pelo Instituto de Criminalística na etapa policial do caso, além de Wilson Aparecido da Silva Pereira e Leonardo de Franca.

Após ouvir as testemunhas, o juiz passará para a fase em que os réus Mizael e Evandro serão ouvidos e responderão a questionamentos.
 
Se julgar que já tem clareza sobre o caso e já colheu as provas necessárias para tomar sua decisão, o magistrado pode determinar, na hora, se os réus irão ou não a júri popular. Contudo, existe a possibilidade de o juiz decidir sobre a questão posteriormente, em até dez dias.

Cano também deverá analisar, ainda nesta quarta-feira, um novo pedido de prisão preventiva dos réus, que deve ser feito pelo promotor do caso, Rodrigo Merli.

O crime
Mércia foi vista pela última vez no dia 23 de maio da casa dos avós em Guarulhos. Foi encontrada morta em 11 de junho na represa de Nazaré Paulista. Segundo a perícia, a advogada foi agredida, baleada, teve a mandíbula quebrada e morreu afogada dentro do próprio carro no mesmo dia em que sumiu.

Para o Ministério Público, Souza matou a ex-namorada movido por ciúmes, e o vigilante Evandro Bezerra Silva o ajudou na empreitada criminosa. O promotor alegou que as provas determinantes para o convencer da autoria do crime foram a quebra do sigilo telefônico e os depoimentos contraditórios de Souza.

Um laudo pericial reforça a suspeita sobre Souza ao apontar a presença de uma alga, que seria compatível com alga presente na represa, em seu sapato. Além da alga, foram encontrados na sola do sapato resíduos de chumbo compatíveis com a bala que feriu Mércia, uma mancha de sangue e um pedaço de osso. Souza nega as acusações.

Cotidiano