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Polícias Militar, Civil e Federal cercam Complexo do Alemão; traficantes disparam contra helicóptero

Júlio César Guimarães/UOL
Traficantes enfrentam a polícia no Complexo do Alemão; VEJA AS FOTOS Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Arthur Guimarães<br>Enviado especial do UOL Notícias <br>Daniel Milazzo<br>Especial para o UOL Notícias<br>No Rio de Janeiro

26/11/2010 11h16Atualizada em 26/11/2010 13h58

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As principais entradas do Complexo do Alemão --agrupamento de favelas na zona norte do Rio de Janeiro--amanheceram nesta sexta-feira (26) vigiadas por homens fortemente armados em ação conjunta das polícias Civil, Militar e com reforço da Polícia Federal. Na entrada das ruelas que ligam a estrada de Itararé aos barracos, grupos de até dez homens fazem a vigilância e tentam identificar a posição dos traficantes do Comando Vermelho que dominam a região.

Por volta de 10h30, um tiro foi disparado contra uma das equipes policiais que ocupa uma rua na altura do número 393 da estrada de Itararé --principal via de acesso ao Complexo. A olho nu era possível ver o autor do disparo. Ele e mais dois traficantes estavam a menos de 300 metros do ponto em que estão os policiais.

Um major do 16º Batalhão da Polícia Militar foi levemente ferido após ser atingido por estilhaços na cabeça, mas já está recuperado e voltou ao trabalho. Os três criminosos vistos aparentam ter por volta de 20 anos. Alguns estão sem camisa e, pelas imagens registradas pelos fotógrafos, é possível ver que passam longos momentos apontando seus fuzis para a barreira policial.

Um helicóptero da Polícia Militar que sobrevoa a região também troca tiros com os traficantes do Complexo do Alemão.

Todas as pessoas que entram e saem da favela são rapidamente abordadas e, sob a mira de armas, são obrigadas a explicar o que estão fazendo e para onde estão indo. Muitos moradores estão tentando se mudar para outras regiões. Uma kombi com oito mulheres e uma criança foi abordada pela polícia nessa migração. O carro estava cheio de eletrodomésticos e aparentava não oferecer riscos, mas mesmo assim foi todo revistado.

Os policiais se escondem atrás de muros na estrada de Itararé e, assim que alguém passa vindo das favelas, fazem a abordagem, pegando a pessoa de surpresa. O movimento nas principais avenidas da região é interrompido a todo instante por comboios de carros policiais que seguem de um ponto para o outro no Complexo do Alemão. O comércio está parcialmente fechado. Apesar do clima mais calmo, os policiais continuam andando com as armas em riste, apontadas para cima.

A imprensa que cobre a tentativa de ocupação é solicitada pelos próprios policiais a vestir sempre coletes a prova de bala. Apesar de não haver registro de nenhum confronto grave nesta sexta-feira (26), o clima é de desconfiança nas comunidades, e quase nenhum morador aceita conversar com repórteres.

No Alemão, é comum ver casais levando crianças de colo e muitas malas, saindo da comunidade.  Nenhuma dessas pessoas, porém, aceita conversar com os jornalistas.

Cenário de destruição

O cenário das ruas da Vila Cruzeiro é de destruição. Carretas, carros e pequenas vans estão carbonizados pelas esquinas. Em dois quarteirões, a reportagem do UOL Notícias contou pelo menos cinco veículos incendiados. As fiações que levam luz e telefone para a comunidade estão queimadas, com fios soltos dos postes caindo sobre a rua, obrigando os pedestres a desviar.

Em uma creche no número 1101 da rua José Ruca, Claudia Pereira conta que nenhuma mãe deixou sua criança por lá hoje. "Está vazia. A maioria [das mulheres] não foi trabalhar hoje para ficar com os filhos. Ninguém ia ter coragem de deixar as crianças aqui", disse ela, que mora em frente a um dos epicentros dos ataques de ontem.

Veja os locais onde veículos foram incendiados no Rio de Janeiro*

Total de mortos: 25 Locais em que veículos foram incendiados
  • Fonte: Relatório divulgado pela PMERJ