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Se chegamos no Alemão, vamos chegar na Rocinha e no Vidigal, diz Beltrame

Policiais seguram bandeira do Brasil na parte superior de teleférico em obras no alto do Alemão - Alexandro Auler/AE
Policiais seguram bandeira do Brasil na parte superior de teleférico em obras no alto do Alemão Imagem: Alexandro Auler/AE

Daniel Milazzo<br>No Rio de Janeiro

Da Redação<br>Em São Paulo

28/11/2010 20h11

Em entrevista concedida na noite deste domingo (28), José Mariano Beltrame, secretário de segurança do Rio, afirmou que "se se chegou no Alemão, nós vamos chegar na Rocinha e vamos chegar no Vidigal".   


Comentando a suspeita de que muitos bandidos tenham furado o cerco montado desde sexta-feira (26) e escapado do Complexo do Alemão, Beltrame ressaltou: "Tem marginais presos. E os marginais que fugiram, eu posso te garantir que marginal sem arma, marginal sem casa, marginal sem território, marginal sem moeda de troca é muito menos marginal do que era antes".

O secretário disse ainda que "não resolvemos todos os problemas", mas que as operações de hoje foram um passo importantíssimo. "Além de conseguirmos o objetivo de obter território, se derrubou uma crença de invencibilidade, aonde a grande maioria das ações criminosas orquestradas ou executadas no Rio de Janeiro vinham daquela área."

"O Rio de Janeiro tem uma guerra muito grande contra o crime. Nós não vencemos a guerra, mas posso dizer que vencemos a mais importante e mais difícil batalha", disse Beltrame. Ele afirmou que o Complexo do Alemão, que o secretário chama de "coração do mal", permanecerá ocupado e policiado.

Embora Beltrame tenha evitado dar um balanço das operações de hoje, a Secretaria de Segurança divulgou alguns números parciais: foram presas 20 pessoas, e apreendidas 50 fuzis e 40 toneladas de maconha. O secretário frisou que sem a participação do Ministério da Defesa, seria impossível atingir o objetivo da retomada do território do Complexo do Alemão. Beltrame admitiu que foi necessária uma "mudança drástica" no cronograma desenhado pela secretaria para aquela região.

Três forças
"As três forças, Marinha, Exército e Força Aérea, estão orgulhosas de poderem ter cooperado para o sucesso dessa empreitada que foi conduzida pelo Estado do Rio de Janeiro. Foi uma empreitada árdua, nós tivemos muito pouco tempo para planejar, mas os nossos meios empregados nessa operação demonstraram que estão à altura dos anseios daquilo que a nossa população espera das suas três forças", afirmou o general Adriano Pereira Júnior, comandante Militar do Leste.

"Essas comunidades, que foram alcançadas pelo braço forte do Estado, tiveram seu território resgatado, sua dignidade resgatada. Isso não é mais do que uma dívida que nós temos com a sociedade", afirmou Ângelo Gioia, superintendente da Polícia Federal. "E um recado a qualquer bando, a qualquer grupo armado que afronte o Estado: a resposta ela sempre será justa, dura e à altura de qualquer enfrentamento", completou Gioia, acrescentando que a PF e a Polícia Civil continuarão a fazer investigações, buscas e apreensões nos próximos dias.

Domingo de muitas apreensões e prisões

Neste domingo, a DRFP (Delegacia de Roubos e Furtos de Carga da Polícia Civil) apreendeu em uma só casa na favela da Grota sete toneladas de maconha. A droga estava distribuída pelos dez cômodos da casa. Além disso,  a DRFP apreendeu em outras localidades cerca de 200 quilos de pasta de cocaína e mil tubos de lança-perfume.

Também neste domingo, foi preso Vitor Roberto da Silva, 27, conhecido como Vitinho, foi preso no Complexo do Alemão neste domingo (28) após uma denúncia anônima. Ele é um dos chefes do tráfico da comunidade Jorge Turco, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo a polícia, Vitinho teria tentado fugir ontem disfarçado com uniforme de funcionário responsável por pulverizar áreas no combate a mosquitos.

Outro traficante preso neste domingo foi Carlos Augusto, 31, conhecido como Pingo, um dos chefes do tráfico na Casinhas, no bairro de Inhaúma. Ele foi detido pela policia no morro dos Mineiros, no Complexo do Alemão. O traficante foi entregue por seu pai Ivanildo Dias Trindade. "É melhor entregar ele vivo do que morto", disse seu pai.

Pingo já tinha mandado de prisão preventiva por tráfico de drogas e era procurado pelos policiais da 44ª DP. Ele estava tentando se esconder pendurado na janela de uma casa quando foi preso. Ele estava desarmado.

As forças de segurança que atuam no Complexo do Alemão também prenderam um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, da TV Globo. Elizeu Pereira, conhecido como Zeu, participou do crime, cometido em 2002, e era membro da quadrilha de Elias Maluco, um dos chefes do Comando Vermelho.

De acordo com a polícia, Zeu estava em uma região chamada de Coqueiral e ameaçou resistir. Encontrado em casa, acabou se entregando e será preso. Ele é foragido da Justiça e cumpriu apenas cinco dos 23 anos de prisão aos quais estão condenado.

Investigações apontaram que Zeu comprou a gasolina que queimou Lopes, repórter policial que entrou disfarçado na favela para buscar informações sobre exploração sexual de menores em bailes funk patrocinados pelo tráfico.

Zeu estava foragido da polícia desde 2007, quando fugiu da prisão no primeiro dia após conseguir o direito do regime semiaberto. Ele cumpriu apenas cinco dos 23 anos a que foi condenado.

Suspeitos

Vários suspeitos já foram detidos no Complexo do Alemão. A maioria deles estava na favela da Grota, onde se concentravam muitos dos criminosos. Os detidos estavam sem documentos e alguns não sabiam dizer onde moravam. Em meio à ação, moradoras da região criticaram alguns membros das forças de segurança.

No sábado (27) também houve detidos pela polícia. Flávia Gomes, 27, disse ao UOL Notícias que está preocupada com o marido e a irmã, que vivem com ela na estrada do Itararé, que dá acesso ao Complexo do Alemão. A Polícia Civil, disse ela, afirmou que ambos têm de registrar ocorrência para depois serem liberados.

"Só quero que liberem ela. Pegou traficante? Leva preso. Mas eles são inocentes", afirmou. "Minha irmã não é nem mulher ainda e está em um ônibus cheio de homem." Maiara Gomes tem 14 anos. Geraldo Dantas, marido de Flávia, tem 27. A moradora diz que sua irmã, Jaqueline, foi hostilizada quando levava documentos de parentes detidos. "Tem policiais que tratam direito, mas tem uns que faltam com respeito."

Vanessa Gomes reclama do tratamento dos policiais. "Estão dando na cara até de mulheres. Eles acham que a gente mora na favela porque gosta. A gente mora aqui porque não temos dinheiro", afirmou.


Um dos detidos é um garoto que tem no antebraço direito as iniciais "FB". Assim é conhecido o chefe do tráfico no Complexo do Alemão. Detido no morro Nova Brasília, Anderson Leandro Cidano, 20, tem no braço a inscrição "Fernandinho Beira-Mar". Ele também tinha tatuagens com o nome do Comando Vermelhos e em defesa das drogas.

 

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