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Turistas estrangeiros têm rotina de calmaria em meio à onda de violência no Rio

A rotina dos turistas na cidade do Rio de Janeiro neste final de semana fazia contraste aos combates entre traficantes e policiais travados no Complexo do Alemão - Marcelo de Jesus/UOL
A rotina dos turistas na cidade do Rio de Janeiro neste final de semana fazia contraste aos combates entre traficantes e policiais travados no Complexo do Alemão Imagem: Marcelo de Jesus/UOL

Arthur Guimarães

Enviado especial do UOL Notícias<br>No Rio de Janeiro

28/11/2010 07h00

A rotina dos turistas na cidade do Rio de Janeiro neste final de semana fazia contraste aos combates entre traficantes e policiais travados no Complexo do Alemão. Enquanto na zona norte, tanques de guerra e policiais traziam o caos aos moradores de comunidades carentes, a vida dos estrangeiros que visitam a orla do centro era marcada pela calmaria.

“Chegamos hoje e, até agora, não sentimos nada”, disse o holandês Otto Oudshoorn,  ao lado de sua mulher caminhando pelo calçadão do Leblon, na zona sul da capital carioca. Apesar de informado sobre os acontecimentos recentes na cidade maravilhosa,  ele dizia estar plenamente seguro. “Não tenho medo.”

No Rio por conta de um congresso sobre patentes, o estrangeiro disse que, até então, não tinha visto nada fora do normal. “Estamos adorando.” Mesmo assim, ele não escondia que seus parentes, em sua terra natal, estavam preocupados com sua permanência em um Estado em guerra contra o tráfico de drogas. “Meus familiares já me ligaram várias vezes. Mas estou tentando não contar detalhes do que está acontecendo. Afinal, estou aqui a trabalho. Não escolhi.”

O casal, que sorria ao ouvir as perguntas da reportagem, ainda brincou sobre a violência no Rio. “E ainda estamos hospedados no Intercontinental”, disseram, em referência ao hotel que foi alvo recente de uma troca de tiros entre policiais e traficantes da Rocinha que voltavam de um baile funk e, ao serem abordados por autoridades, entraram pelo hall em um cenário de guerrilha.

Annabelle L’epire, francesa de Marselha, também disse estar alheia à onda de violência. “Nunca fui assaltada e só fico nas regiões que conheço”, falou ao UOL Notícias. Questionada sobre o risco de passar as férias em uma cidade conflituosa , seu namorado – que não quis dar seu nome à reportagem – analisou. “É assim em qualquer lugar do mundo.”

Funcionário do consulado do Japão, Hatttori Daisuke  circulava pelo calçadão e explicava que, em sua função, passava informações diárias ao oriente sobre a situação do Brasil. “Informo todo dia o que está acontecendo”, afirmou. “A imprensa do Japão ainda não sabe, mas preciso dizer. Nunca fui assaltado, mas acho o Rio muito violento. Vejo muitos amigos meus com histórias horríveis, como assaltos e coisa do tipo.”

As amigas da neozelandesa Rowena Baines, apesar de alheias ao confronto entre policiais e traficantes, mostravam certa perplexidade com as agressões ao Estado. “Vi helicópteros, carros armados, e percebi que não é uma coisa normal”,  disse Baines, que veio morar no Rio por um ano para fazer um curso de dança.

O canadense Kamerim Chowdhury, de Toronto, também era do grupo dos despreocupados. “Nunca fui assaltado. Não tenho medo”, disse.

Cotidiano