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Ex-governador de São Paulo afirma que operação no Rio é "decepcionante"

Marcela Rahal<br>Do UOL Notícias

Em São Paulo

29/11/2010 19h23

O secretário dos Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo e ex-governador de São Paulo na época em que aconteceu a onda de ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), em 2006, Claudio Lembo (DEM) criticou nesta segunda-feira (29) em entrevista ao UOL Notícias as operações de ocupação que estão sendo feitas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Ex-governador de São Paulo, Claudio Lembo, critica ação do Exército no Rio

Lembo lamentou a ação do Exército nos morros do Rio de Janeiro que, segundo ele, deve ser preservado para atuar apenas como uma tropa de defesa da nacionalidade. No período em que mais de 400 pessoas morreram em decorrência dos ataques do PCC em São Paulo, ocorridos entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, o ex-governador recusou a ajuda federal por temer a autonomia do Estado. “Não quisemos Exército Nacional, não quisemos Marinha, nada. Achamos que a autonomia de São Paulo estava em jogo, em primeiro lugar; em segundo lugar, nós confiamos na Polícia Militar de São Paulo.”


Segundo o ex-governador de SP, o Rio de Janeiro pediu ajuda federal porque provavelmente não tinha opção. “Eu creio que o Rio fez o que talvez fosse necessário pela ausência de uma Polícia Militar mais qualificada”, disse.


Lembo ainda disse acreditar que é “ingênuo” pensar que a situação da criminalidade no Rio de Janeiro vai mudar após a megaoperação. “Nenhum [criminoso] foi preso, foram presos dois pés de chinelo e nada mais. Eu achei uma coisa decepcionante, tanta tropa para prender duas pessoas, o que mostra que não havia informação”, disse. Segundo o último balanço da Polícia Militar do Rio de Janeiro, 118 prisões foram executadas até o domingo (28) e 130 pessoas foram detidas para averiguação.

“Há um momento em que a tropa terá que se retirar, e aí o que vai acontecer?”, afirmou o ex-governador, dizendo que não há heroísmo nenhum na ação que está sendo feita no Rio de Janeiro.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse que não iria comentar a fala de Lembo.

Ataques em São Paulo

Entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) motivou a maior onda de violência da história de São Paulo com uma série de ataques às forças de segurança do Estado. Quase 500 pessoas, entre elas policiais, civis e suspeitos de serem criminosos, morreram. O dia 14 de maio, Dia das Mães, foi o mais violento do período: 118 mortos e 29 feridos.

As ações contra prédios públicos, ônibus e bancos foram uma reação da facção criminosa à transferência de líderes da organização para uma penitenciária de segurança máxima em Presidente Venceslau (620 km da capital). Entre os 765 detentos transferidos para o presídio está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo e tido como mandante dos ataques.

A suspensão dos ataques e o encerramento de dezenas de rebeliões em presídios foi ordenada pelo próprio PCC. O motivo para que as ações parassem não foi esclarecido na época. O ex-governador de São Paulo, Claúdio Lembo, negou que tenha ocorrido qualquer tipo de acordo com os criminosos para pôr fim à violência.

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