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Professor da USP marca protesto e diz que estudante morreu por omissão

Do UOL Noticias

Em São Paulo

07/12/2010 07h00

Enquanto a Polícia Civil abre investigações para apurar a morte do estudante Samuel de Souza, 42, no campus da USP (Universidade de São Paulo), um professor marcou para quinta-feira (9) um protesto por conta do incidente que, segundo ele, remete "à omissão de socorro" e expõe "o descaso da administração central com a segurança daqueles que circulam pela Cidade Universitária".

Mario González, professor titular de Literatura Espanhola, distribuiu a alunos pela internet a convocatória de um protesto que começará às 10h30 --uma semana depois da morte de Samuel. O estudante passou mal nas dependências da USP e um guarda universitário o declarou como morto, mas colegas do aluno contestaram. Mais tarde, a Polícia Militar chegou ao local e deu o mesmo veredicto do guarda. Nesse meio tempo, o Hospital Universitário afirmou que não poderia enviar uma ambulância para resgatá-lo.

"Nos sentimos indignados com o fato da morte do estudante ter acontecido em circunstâncias que remetem à omissão de socorro e expõem o descaso da administração central com a segurança daqueles que circulamos pela Cidade Universitária", diz González no texto. Ele pediu a docentes, funcionários técnico-administrativos e estudantes que levem uma flor ao protesto.

"A proposta é protestarmos apenas com nossa presença, essa flor e nosso silêncio, independentemente dos documentos ou providências que caibam por parte de nossas unidades, sindicatos, grêmios, etc", escreveu. "Vamos lá dizer que isso jamais poderia ter acontecido dentro de nossa universidade. E que não admitimos que possa se repetir."

Preparo

Na sexta-feira, a reitoria do USP lamentou a morte do estudante e disse que comunicou “imediatamente” o fato à polícia depois que “o corpo foi encontrado pela Guarda Universitária, por volta das 10h”. De acordo com a universidade, o guarda que encontrou Samuel tinha preparo para saber se o rapaz estava morto ou não.

O texto divulgado pela reitoria não faz menção à demora de pelo menos cinco horas para a remoção do cadáver. O corpo foi liberado pela polícia às 13h15, mas só foi levado pelo IML (Instituto Médico Legal) por volta das 16h.

A Polícia Militar informou que foi avisada sobre a presença de um corpo na USP às 10h14 de quinta-feira e que chegou ao local às 10h29. Um delegado e um perito da Polícia Técnico-Científica avaliaram o quadro para decretar o óbito. Os agentes deixaram a USP às 13h15. O serviço funerário do município afirmou ter sido avisado por volta das 14h e chegou à universidade para remover o cadáver duas horas depois.

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