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2011 deve ser marcado por eventos climáticos extremos, diz especialista

Carlos Madeiro<BR>Especial para o UOL Notícias<BR>Em Maceió

13/01/2011 07h05

Furacão em Santa Catarina, secas no Rio Grande do Sul e Amazonas, chuvas no Sudeste e enchentes no Nordeste. A ocorrência de eventos climáticos extremos tem assolado o Brasil e é motivo de preocupação de moradores de praticamente todas as regiões do país. O mais preocupante é que eles devem acontecer com frequência em 2011 –como já mostra a situação em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Segundo o professor de meteorologia da Universidade Federal de Alagoas e coordenador da rede EumetCast (sistema de disseminação de dados da Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos) no Brasil, Humberto Barbosa, uma combinação de fatores climáticos associada a mudanças causadas pelo homem são responsáveis por eventos intensos distintos nas regiões.

Tragédias no RJ em 2010

  • Angra dos Reis

    (1º jan)

    Em Angra dos Reis, dois deslizamentos causaram 53 mortes no primeiro dia de 2010, no morro da Carioca, em Angra, e na Praia do Bananal, na Ilha Grande

  • Niterói

    (5 e 6 de abril)

    Temporais no Estado deixaram 257 mortos. Em Niterói, a região mais atingida, 168 pessoas morreram

  • Bumba

    (7 de abril)

    Na madrugada do dia 7 de abril, um deslizamento no morro do Bumba matou 45 pessoas

    “Essa variação climática regional é resultado das mudanças climáticas naturais influenciadas pelo La Niña, pela fase fria do oceano Pacífico e pelas mudanças climáticas causadas pelo homem, influenciada pelo aumento de vapor d'água e o gás carbônico na atmosfera. Esse aumento de vapor e gás carbônico têm provocado esses eventos extremos no país”, afirmou.

    Barbosa explica que a previsão é que 2011 seja marcado por eventos ainda mais intensos. “Estudos sobre o clima indicam que, em 2011, haverá aumento da precipitação na região Sudeste e na maior parte da região Nordeste do Brasil, assim como no leste da Amazônia e na região litorânea entre o Rio Grande do Norte e a Bahia. Cenários piores mostram um aumento dos períodos secos ou menos chuvas na região Sul do Brasil”, disse.

    Para ele, o processo de eventos extremos deve se arrastar por pelos menos alguns anos. “As projeções para o clima no futuro indicam mais umidade e mais processos dinâmicos ocorrendo na atmosfera, de modo que outros fenômenos extremos podem ocorrer com maior frequência e intensidade.”

    Segundo Barbosa, o contraste entre seca no Norte e no Sul, e chuvas no Sudeste e Nordeste, devem continuar se repetindo. “O padrão climático condicionado pelo La Niña é seca no Sul e chuvas [ou enchentes] no Nordeste. A seca no Sul já está sendo configurada; já as chuvas no Nordeste deverão ser configuradas a partir das diferentes quadras chuvosas. Este ano, os eventos extremos de secas e enchentes estão presentes, já que o La Niña traz mais vapor d'água para a região Nordeste e menos para o Sul”, afirmou.

    Pontos críticos provocados pela chuva no Rio de Janeiro

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    O professor explica ainda que os eventos podem ocorrer como enchentes, secas prolongadas, ondas de calor, tornados, e até mesmo furacões. “Exemplos de furacão Catarina, seca na Amazônia, chuvas no Sudeste e no Nordeste em 2010 são provas disso”, afirmou.

    Diante do cenário, o professor afirma que os órgãos públicos devem focar suas ações em prevenção. “É de suma importância um estudo apurado de avaliação do impacto de fenômenos climáticos extremos, seu tempo de retorno, sua intensidade, para que haja melhor planejamento dos poderes público e privado, para que seus impactos se tornem de maneira branda sem vítimas fatais e grandes prejuízos sócioeconômicos. Independente do tempo de duração e atuação, cheias súbitas, associadas a eventos intensos de chuva, muitas vezes breves, pode ser um dos mais destrutivos de todos os eventos, pois a população é pega de surpresa e as cidades não disponibilizam de um sistema eficaz, principalmente de drenagem”, finalizou.

    Cotidiano