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Boato de arrastão gera pânico no centro de Teresópolis

Daniel Milazzo<br>Enviado especial do UOL Notícias

Em Teresópolis (RJ)

14/01/2011 13h01

Um clima de medo tomou conta de parte do centro de Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira (14). O boato de que haveria arrastões fez com que grande parte do comércio fechasse as portas.

“Estão dizendo que é gente de fora, aproveitando que a polícia está toda voltada para essa tragédia que houve”, disse o funcionário de um café, que preferiu não se identificar. Durante entrevista coletiva, o prefeito Jorge Mario confirmou assaltos a duas lojas no centro.

Ele negou, no entanto, que tenha acontecido um arrastão. “Houve disseminação de pânico e um boato de saques, de arrastão, mas não foi nada disso. Às vezes a gente gasta mais tempo desmentindo boato do que se preocupando em socorrer as vítimas”, afirmou.

Rumor ou não, boa parte do comércio continua fechada nesta tarde. “Eu estava na rua, e me mandaram para casa. Algumas pessoas estavam gritando”, disse a aposentada Judith Grass, 72. Ela acredita que ladrões estão vindo de outras cidades.

“Tenho a impressão de que são aproveitadores do Rio de Janeiro que descem na rodoviária. Os bandidos daqui também estão sofrendo”, disse ela.

Força Nacional de Segurança

O policiamento de Teresópolis foi reforçado desde a noite de quinta-feira (13) por 130 membros da Força Nacional de Segurança (FNS). O prefeito reconheceu a ocorrência de saques apenas a residências de regiões isoladas pela tragédia.

De acordo com o major Alexandre Augusto Aragon, diretor da FNS, a prioridade neste momento é agir com velocidade nos trabalhos de resgate. “Aqui a busca e salvamento têm de ser muito rápidos porque, diferente de terremotos, o espaço vazio é preenchido por água e a pessoa soterrada não consegue respirar”, afirmou.

Ao todo, 225 homens e mulheres da FNS foram mobilizados para a operação na região serrana. Destes, 28 pessoas irão a Nova Friburgo e o resto se concentrará em Teresópolis. O major afirmou que policiais militares, bombeiros especializados e peritos fazem parte do grupo.

A tragédia em imagens

A equipe de bombeiros que integra a força tem nove anos de experiência. Segundo o major, o grupo acaba de concluir um curso de resgate de massas e atendimento pré-hospitalar. Ele prevê operações difíceis na região. “O terreno montanhoso atrapalha. Quando a água desce, vem com muita força porque não há nada que a impeça. A violência da água é o fator surpresa”, disse.

No pátio da prefeitura, será montado um centro de comando e controle, centralizando as informações e as medidas a serem tomadas.

Cotidiano