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Número de mortos em Teresópolis vai subir muito, diz Defesa Civil

Daniel Milazzo<br>Enviado especial do UOL Notícias

Em Teresópolis (RJ)

14/01/2011 12h25Atualizada em 14/01/2011 17h30

Um dia depois de a prefeitura de Teresópolis, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, decidir abrir 300 valas no cemitério da cidade para enterrar mais de 230 vítimas das chuvas, o coronel Flávio Luiz Castro, da Defesa Civil municipal, afirmou que o número de óbitos e de desaparecidos ainda deve subir. Nesta sexta-feira (14), ele disse que o acesso a algumas regiões só pode ser feito de helicóptero ou após horas de caminhada.

A tragédia em imagens

Castro informou que há uma lista de apenas 25 pessoas desaparecidas. Mas em uma cidade onde 28 bairros foram afetados, a tendência é de aumento no número de mortes – que em todo o Estado já passaram de 500. As regiões mais afetadas são as dos bairros Providência, Água Quente, Poço dos Peixes, Santa Rita e Mota. Nesse locais, a queda de torres de comunicação e telefonia móvel e fixa também dificulta a obtenção de informações.

“Vinte cinco desaparecidos dentro desse universo a gente acredita que seja muito pouco. A gente acredita que tenha muito mais desaparecidos”, disse Castro.

O prefeito Jorge Mário preferiu não se comprometer com estimativas. “Seria leviano de nossa parte projetar um número. Temos que trabalhar com números possíveis de serem próximos à realidade”, disse. Ele informou em uma entrevista coletiva mais cedo que 200 caixões foram comprados pelo poder executivo municipal.  A prefeitura alugou um contêiner para transportar cadáveres, porque o IML (Instituto Médico Legal) local não consegue atender à demanda.

Saúde

O prefeito de Teresópolis disse que gastou R$ 2 milhões na compra de medicamentos que já chegaram ontem. Todos foram distribuídos, segundo ele. A secretária municipal de Saúde, Solange Cirico, informou que todos os profissionais da área no município foram convocados. Ela não definiu quantas pessoas fazem parte do quadro de funcionários dessa área. Vários deles, disse,  já tinham se apresentado a postos de desabrigados e comunidades afetadas.

Cirico também pediu a ajuda de psicólogos e assistentes sociais voluntários. Ela informou que as equipes de epidemiologia e vigilância sanitária estão agindo para evitar que a população entre em contato com águas contaminadas, especialmente as de poços. A secretária também alertou contra animais peçonhentos, como cobras, aranhas e escorpiões.

A prefeitura disse ainda que há poucos registros de doenças que costumam aumentar durante enchentes, como leptospirose e dengue. A secretária disse que Hemonúcleo da cidade está aberto e que, apesar de haver sangue o bastante, mais doações serão bem-vindas.

Além do trabalho sanitário, existem equipes do conselho tutelar municipal no principal abrigo da cidade, o ginásio Pedro Jahara (“Pedrão”). Também há 13 abrigos locais no município.

Mais de 500 mortes

A sexta-feira (14) na região serrana do Rio de Janeiro trouxe aumento nos números de mortos em função dos deslizamentos dos últimos dias, nesta que já é considerada a maior tragédia climática do Estado e do país. Até as 13h, pelo menos 524 pessoas mortas já haviam sido confirmadas em dados fornecidos pelas prefeituras e Defesas Civis dos municípios atingidos, além da secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil do Rio (Sesdec). Segundo a Polícia Civil do Estado do RJ, 492 corpos já foram identificados até as 6h desta sexta -- 219 de Teresópolis, 225 de Nova Friburgo, 35 de Itaipava, em Petrópolis, e 13 de Sumidouro, além de quatro de São José do Vale do Rio Preto, confirmados apenas hoje.

No município de Teresópolis, a Defesa Civil local confirmou hoje de manhã 229 mortos, sendo que 102 corpos já foram liberados para sepultamento.

Nova Friburgo contabiliza pelo menos 246 mortos, entre os quais, três bombeiros. Em entrevista ao UOL Notícias na cidade ontem (13), o comandante do bombeiros no RJ, Pedro Machado, admitiu que o necrotério improvisado na praça Getúlio Vargas, região central, está preparado para receber 400 corpos. Das cidades atingidas, Nova Friburgo é a que apresenta maior dificuldade de atualização e confirmação de números, uma vez que o sistema de telefonia está em pane desde a madrugada de segunda (10) para terça (11), e também porque os balanços do Estado não são repassados com dados mais recentes dos bombeiros estaduais.

Petrópolis, com os registros de Itaipava, segundo os dados da Sesdec, tem 41 mortes confirmadas. A prefeitura local decretou situação de emergência, mas salienta que o restante da cidade não foi devastado, a exemplo do distrito.

No município de Sumidouro, ontem foram registradas 19 mortes, todas na localidade rural na cidade de Campinas. Quatro corpos de São José do Vale do Rio Preto, confirmados apenas hoje, também foram identificados.

Cidades com registro de mortes por conta da chuva

Cotidiano