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Destruição do teleférico de Nova Friburgo afeta toda a cidade, diz empresário

Fabiana Uchinaka<br>Enviada do UOL Notícias<br>Em Nova Friburgo (RJ)

15/01/2011 10h00

 

A placa de boas-vindas costumava alertar os visitantes para a maravilha que veria do alto do teleférico: “A mais bela vista de Nova Friburgo”. Hoje, além do aviso, pouco sobrou do ponto turístico mais famoso do município da serra fluminense. Um rastro de terra riscou o morro da Cruz de alto a baixo, as cadeiras vermelhas e amarelas que costumavam balançar cheias de gente pararam no ar, a praça que até o começo da semana era o marco da cidade e abrigava a histórica igrejinha do Suspiro foi coberta por um mar de lama. A fila de turistas foi substituída pela fila de garis.

Entre os funcionários de uniforme laranja, que afundavam até o joelho na espessa camada de barro, restos de árvores e detritos, Rodolfo Acri, 60, observava desolado a destruição. Ele é o dono do teleférico e do hotel Recanto da Itália, que fica no topo do morro e desmoronou parcialmente com a queda da encosta.

“O desastre foi muito grande. Nunca vi nada igual. O teleférico foi destruído com as árvores que caíram sobre ele. O hotel também veio abaixo e deixou os hóspedes isolados. Vinte pessoas tiveram que abandonar tudo e descer a pé por uma trilha de cerca de 1,5 km. Eu morava lá em cima e agora estou dormindo em uma pousada aqui do centro até decidir o que fazer. Mas, felizmente, ninguém morreu”, contou.

A maior preocupação do empresário é com a recuperação do patrimônio. Ele acredita que perdeu cerca de R$ 5 milhões com a tragédia, fora o lucro que teria durante as férias de verão, da ordem de R$ 70 mil reais por mês.

“A falta do teleférico afeta o turismo da cidade toda. Ele era a principal atração, por isso peço sensibilidade do governo federal. Eu não quero dinheiro, eu quero ajuda, quero que o governo intervenha. A igreja é histórica, o teleférico é o maior do Brasil e um dos mais importantes pontos turísticos do Rio. Sem eles, o turismo na cidade corre o risco de acabar”, afirmou.

Tragédias no RJ em 2010

  • Angra dos Reis

    (1º jan)

    Em Angra dos Reis, dois deslizamentos causaram 53 mortes no primeiro dia de 2010, no morro da Carioca, em Angra, e na Praia do Bananal, na Ilha Grande

  • Niterói

    (5 e 6 de abril)

    Temporais no Estado deixaram 257 mortos. Em Niterói, a região mais atingida, 168 pessoas morreram

  • Bumba

    (7 de abril)

    Na madrugada do dia 7 de abril, um deslizamento no morro do Bumba matou 45 pessoas


    Acri pede que sejam criadas linhas de crédito a juros baixos para ajudar os moradores das diferentes classes sociais a reconstruir Nova Friburgo. “Senão, haverá muito desemprego. Só por conta do meu hotel já são 50 desempregados. É uma situação muito delicada, não dá para simplesmente fechar as portas”, afirmou.

    O teleférico possui 1.450 metros de comprimentos e costumava levar os visitantes até um parque de diversões, com boliche, tobogã e jogos, no primeiro trecho, ou até um mirante, no ponto mais alto do morro. Ele foi construído há 36 anos e está sob os cuidados de Acri há 17.

    Há muito trabalho a ser feito. Segundo o empresário, a praça do Suspiro havia sido reformada há um mês e os postos de luz eram todos novos. Ainda não se sabe quanto tempo levara para a região se recuperar. “Se a verba vier rápido, a gente reconstrói rápido”, resume.

    Cotidiano