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Secretaria arrecada 59 toneladas de alimentos em um dia para vítimas das chuvas no Rio

Do UOL Notícias

Em São Paulo

15/01/2011 10h12Atualizada em 15/01/2011 12h10

A Sedrap (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca) do Rio de Janeiro arrecadou em apenas um dia 59 toneladas e alimentos e 36 mil litros de água para os moradores da região serrana, afetados pelas chuvas na região serrana. Grande parte dos donativos foi enviada para Nova Friburgo na sexta-feira (14); os caminhões tiveram escolta da Polícia Militar.

O número de mortos nas cidades atingidas por enchentes e deslizamentos na madrugada de quarta-feira (12) já ultrapassa 550, e o governador do Rio, Sérgio Cabral, decretou luto oficial de sete dias pelas vítimas. O decreto de luto assinado na sexta-feira (14) entra em vigor na segunda-feira (17), quando será publicado no “Diário Oficial”.

Segundo a subsecretaria de comunicação social do Rio, os produtores rurais e comerciantes da Ceasa de Irajá doaram 50 toneladas de alimentos e 30 mil litros de água. Os produtores da Ceasa de Colubandê, em São Gonçalo, contribuíram com mais 9 toneladas e 6 mil litros de água. “Arrecadamos cereais como farinha de trigo, fubá, arroz e feijão. Recebemos também tomate, aipim, cenoura, manga, entre outros. Hoje priorizamos o envio dos produtos perecíveis. Amanhã [sábado], o restante destes alimentos já estará na serra”, afirmou o secretário Felipe Peixoto.

O Gabinete de Gestão de Crise, montado na quinta-feira (13), organiza a logística de recebimento e distribuição das doações para as vítimas. Esse gabinete é formado por associações e cooperativas de produtores e pregoeiros, representantes do Corpo de Bombeiros, da Policia Militar, funcionários da Ceasa e da Sedrap.

Balanço
No município de Teresópolis, a Defesa Civil estadual confirmou 238 mortos. Destes, 102 corpos foram liberados para sepultamento. Mas os sobreviventes enfrentam a desolação e a chuva para tentar identificar os cadáveres. “A gente fica muito angustiado, mas acho que vou conseguir reconhecer. A gente não deseja uma dor dessas pra ninguém”, diz Maria Porcina da Silva Ramos, que ainda tem dois familiares desaparecidos.

Em razão da demanda, que extrapola as mais pessimistas previsões, o IML (Instituto Médico Legal) da cidade teve de ser deslocado. Antes da tragédia, funcionava dentro da 110ª DP do município e tinha capacidade para apenas 14 cadáveres. Agora, está improvisado num imóvel de dois andares e 3.000 m2, antiga sede de uma igreja evangélica, em frente à delegacia.

Nova Friburgo, a cidade mais atingida, contabiliza pelo menos 248 mortos, segundo Secretaria de Estado da Saúde e da Defesa Civil. Em meio a boatos sobre saques, os moradores precisam lidar com o medo de assaltos e arrastões, boatos sobre invasões de delegacia e falsos alarmes sobre o rompimento de represas. Familiares já identificaram 196 mortos, enquanto 52 corpos aguardam identificação. Há cerca de 5 mil desabrigados.

A cidade foi destruída, o comércio ainda não voltou a funcionar e, somente agora, a população começa a sair de casa para comprar mantimentos, água e tentar conseguir combustível. “O pessoal enche o tanque com medo de acabar e não sobra nem para os carros de resgate”, diz o professor de jiu-jitsu Fábio Moraes, 33. “Perdi mais de cem amigos. Alunos e amigos de infância. Está um caos.”

O número de mortos congestiona os IMLs (Instituto Médico Legal) dos municípios atingidos. Em Nova Friburgo, os sobreviventes carregam os caixões e formam um congestionamento nas ladeiras do cemitério São João Batista, único da cidade que não ficou ilhado. Os feridos enterram os mortos. Muitos deles poderão ser enterrados sem identificação.

Petrópolis, com registros de Itaipava, tem 43 mortes confirmadas. Entre os mortos estão os parentes do executivo da Icatu Holding, Erick Connolly de Carvalho, 41, que enterrou hoje no Rio dois filhos, os pais, a família da irmã, a estilista Daniella Connolly, e familiares da mulher Isabela de Carvalho, que permanece internada no Hospital Copa d'Or.

Como voltou a chover, e a previsão é de novos temporais nos próximos dias, o risco de novas enxurradas e deslizamentos preocupa as autoridades locais, que ainda trabalham para desobstruir estradas, retomar o abastecimento de água e atender os moradores que já perderam suas casas.

No município de Sumidouro, foram registradas 18 mortes, todas na localidade rural na cidade de Campinas. Uma pessoa está desaparecida e cinco estariam soterradas. A prefeitura, que havia divulgado um total de 20 mortos, corrigiu a informação no início da noite desta sexta. O prefeito da cidade afirmou que pelo menos 300 famílias estão em áreas isoladas.

Em São José do Vale do Rio Preto, a Polícia Civil confirma 4 mortes. Moradores ilhados foram resgatados com a ajuda de botes pelos bombeiros.

Cidades com registro de mortes por conta da chuva

Cotidiano