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Sérgio Cabral presencia queda de barreira no Rio e diz que 'viveu pânico'

Fabiana Uchinaka

Enviada especial do UOL Notícias<br>Em Nova Friburgo (RJ)

15/01/2011 15h32

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, presenciou a queda de uma barreira durante a ida para Nova Friburgo, no Rio, neste sábado (15). “Faço um apelo porque vi, in loco [a queda]: que ninguém use a RJ 116, porque acabou de acontecer uma queda de barreira. É algo muito sério, muito grave, está interditado”, afirmou, ao chegar em Nova Friburgo, onde fortes chuvas voltaram a alagar as ruas da cidade. O número de mortos nas cidades atingidas por enchentes e deslizamentos na madrugada de quarta-feira (12) já chega a 560; as buscas continuam.
 

Cabral pousou de helicóptero em Cachoeira do Macacu e seguia de carro pela estrada que liga a cidade a Nova Friburgo, quando testemunhou o problema que assola a região serrana do rio. A queda repentina, afirmou, aconteceu em um trecho da estrada que já estava bloqueado.

O governador disse que sentiu na pele a tensão que vivem os moradores da região. “Não vivi a mesma coisa porque graças a Deus estou vivo e não perdi nenhum parente nessa tragédia.  Mas efetivamente vivi o pânico”, contou.

O governador visita a cidade para ver os estragos e também o hospital de campanha da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, montado no local. Ele reforçou que a cidade está vivendo uma situação de precariedade, mas que não estão faltando esforços. Ele ressaltou que são 11 aeronaves do Estado e 20 aeronaves de órgãos federais e empresas sobrevoando a região, além de centenas de veículos de diversos órgãos atuando no município. Há também milhares de homens da polícia, do exército e homens da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) enviados pela prefeitura do Rio. “Fiquei emocionado porque eles podiam estar trabalhando no Rio e vieram para cá.”

O governador também informou que os US$ 100 milhões liberados pelo Governo Federal serão utilizados por etapas, de acordo com as prioridades. Agora, os recursos vão para as áreas aluguel/social e manutenção das equipes na cidade. “Temos de fazer muita coisa, mas agora é hora de ajudar”, disse. Ele calcula que os danos vão chegar a “centenas de milhões de reais”, mas que não é possível determinar um valor ainda.

Mais chuva
A chuva forte que voltou a cair neste sábado em Nova Friburgo atrapalha a limpeza da cidade e também o atendimento médico pós-chuva. Como o tempo havia firmado, o hospital de campanha da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil preparou para este sábado o início de uma campanha de vacinação antitetânica, com 5 mil doses enviadas da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro. Como as ruas voltaram a alagar, no entanto, é improvável que a população busque cuidados médicos em casos que não sejam urgentes. 

“Estávamos nos preparando para o pós-chuva, reativando os postos de saúde dos distritos. Agora não sei [o que vai acontecer]”, afirmou ao UOL Notícias Jamila Calil Salim Ribeiro, secretária municipal de saúde de Nova Friburgo. Na manhã deste sábado, dez equipes médicas foram enviadas para áreas mais isoladas com o objetivo de levar remédio.

O hospital de campanha, montado em frente à igreja matriz de Nova Friburgo, conta com 150 agentes (médicos e enfermeiros) e começou a funcionar na tarde desta sexta-feira.

Na manhã deste sábado, 157 pessoas passaram pelo local: a maioria dos atendimentos refere-se a crises de ansiedade e ferimentos leves. Os casos mais graves são encaminhados ao Hospital Raul Sertã. Foram registradas 146 transferências de pacientes de Nova Friburgo para outras cidades do Rio.

A cidade foi destruída, o comércio ainda não voltou a funcionar e, somente na sexta-feira (14), a população começou a sair de casa para comprar mantimentos, água e tentar conseguir combustível. “O pessoal enche o tanque com medo de acabar e não sobra nem para os carros de resgate”, diz o professor de jiu-jitsu Fábio Moraes, 33. “Perdi mais de cem amigos. Alunos e amigos de infância. Está um caos.”

Luto
A presidente da República, Dilma Rousseff, decretou luto oficial de três dias, a partir de sexta-feira (14), em razão das vítimas das fortes chuvas em todo o país. Em comunicado, a presidente afirma que o luto é "pelas vítimas dos temporais que assolaram vários municípios do Brasil, principalmente da região serrana do estado do Rio de Janeiro".

Tragédias no RJ em 2010

  • Angra dos Reis

    (1º jan)

    Em Angra dos Reis, dois deslizamentos causaram 53 mortes no primeiro dia de 2010, no morro da Carioca, em Angra, e na Praia do Bananal, na Ilha Grande

  • Niterói

    (5 e 6 de abril)

    Temporais no Estado deixaram 257 mortos. Em Niterói, a região mais atingida, 168 pessoas morreram

  • Bumba

    (7 de abril)

    Na madrugada do dia 7 de abril, um deslizamento no morro do Bumba matou 45 pessoas

    O governador do Rio, Sérgio Cabral, já havia decretado luto oficial de sete dias pelas vítimas. O decreto assinado na sexta-feira (14) entrará em vigor na segunda-feira (17), quando será publicado no “Diário Oficial”.  

    A Força Nacional de Segurança deslocou 225 homens para os municípios de Teresópolis e Nova Friburgo, onde eles farão patrulhamento nas ruas, evitarão saques, resgatarão vítimas em locais de difícil acesso e ajudarão no reconhecimento de corpos. O comboio, que já chegou ao local, tem 20 viaturas de tração nas quatro rodas e quatro helicópteros, que são usados para deixar equipes de apoio em locais de difícil acesso.

    Para ajudar nas buscas no distrito de Itaipava, em Petrópolis, o Exército brasileiro disponibilizou três caminhões e 105 homens – no local, o número de mortos chega a 46. Segundo a Prefeitura de Petrópolis, as frentes de trabalho no local contam com cerca de 600 homens de diversas equipes diferentes (entre elas Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Petrópolis Resgate). 

    Também em Petrópolis, a FAB (Força Área Brasileira) montou um Subcentro de Operações de Busca e Salvamento no 32º Batalhão de Infantaria Motorizada, além de um serviço de telefonia fixa e via rádio. A força aérea montou também um hospital de campanha na região, que está sendo usado para socorrer as vítimas da tragédia.

    A mobilização para ajudar as pessoas afetadas é grande. A Sedrap (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca) do Rio de Janeiro anunciou ter arrecadado, em um único dia, 59 toneladas e alimentos e 36 mil litros de água. Grande parte dos donativos foi enviada para Nova Friburgo na sexta-feira (14); os caminhões tiveram escolta da Polícia Militar.

    Balanço
    No município de Teresópolis, a Defesa Civil estadual confirmou 240 mortos. Os sobreviventes enfrentam a desolação e a chuva para tentar identificar os cadáveres. “A gente fica muito angustiado, mas acho que vou conseguir reconhecer. A gente não deseja uma dor dessas pra ninguém”, diz Maria Porcina da Silva Ramos, com dois familiares desaparecidos.

    Em razão da demanda, que extrapola as mais pessimistas previsões, o IML (Instituto Médico Legal) da cidade teve de ser deslocado. Antes da tragédia, funcionava dentro da 110ª DP do município e tinha capacidade para apenas 14 cadáveres. Agora, está improvisado num imóvel de dois andares e 3.000 m2, antiga sede de uma igreja evangélica, em frente à delegacia.

    Nova Friburgo, a cidade mais atingida, contabiliza pelo menos 252 mortos, segundo Secretaria de Estado da Saúde e da Defesa Civil. Em meio a boatos sobre saques -- daí também o envio da Força Nacional de Segurança --, os moradores enfrentam o medo de assaltos e arrastões. Até a manhã deste sábado, os familiares já identificaram 196 mortos, enquanto 52 corpos aguardam identificação. Há cerca de 5 mil desabrigados.

    Entre os 46 mortos de Petrópolis estão os parentes de Erick Connolly de Carvalho, 41, executivo da Icatu Holding, que enterrou no Rio dois filhos, os pais, a família da irmã, a estilista Daniella Connolly, e familiares da mulher Isabela de Carvalho, que permanece internada no Hospital Copa d'Or.

     

    No município de Sumidouro, foram registradas 18 mortes, todas na localidade rural na cidade de Campinas. Uma pessoa está desaparecida e cinco estariam soterradas. A prefeitura, que havia divulgado um total de 20 mortos, corrigiu a informação no início da noite desta sexta. O prefeito da cidade afirmou que pelo menos 300 famílias estão em áreas isoladas.

    Em São José do Vale do Rio Preto, a Polícia Civil confirma 4 mortes. Moradores ilhados foram resgatados com a ajuda de botes pelos bombeiros.

    Areal decretou em seu site estado de calamidade pública. “A população do Bairro Amazonas e Afonsina perdeu tudo. Estrada de Alberto Torres desabou”, diz um comunicado no site da prefeitura. Não há registro de mortes.

    A cidade de Bom Jardim também foi afetada. "Precisamos de uma ponte urgente, estamos isolados, famílias divididas, sem saber o que está acontecendo do outro lado da cidade e nos outros bairros e distritos atingidos", afirmou o prefeito Affonso Monnerat, segundo comunicado oficial publicado no site da cidade.

    A chuva fez com que o município de Bom Jardim fosse dividido em pequenas ilhas e, por causa da situação, o prefeito solicitou ao secretário estadual de Saúde, Sergio Cortes,medicamentos, mais efetivo do Corpo de Bombeiros, carros tracionados e policiais militares.

    Como voltou a chover, e a previsão é de novos temporais nos próximos dias, o risco de novas enxurradas e deslizamentos preocupa as autoridades locais, que ainda trabalham para desobstruir estradas, retomar o abastecimento de água e atender os moradores que já perderam suas casas.

    Cidades com registro de mortes por conta da chuva

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