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Com medo de nova tragédia, turistas e população deixam Nova Friburgo

Fabiana Uchinaka<br>Rodrigo Bertolotto<br>Enviados do UOL Notícias

Em Nova Friburgo (RJ)

16/01/2011 06h52

Beatriz tem medo de outro deslizamento. Terezinha quer deixar os parentes de fora da cidade mais tranquilos. Deise viaja para achar um lugar que tenha água e luz. Victor sonha só em voltar para o Rio vivo.

Com medo, turistas e moradores deixam Nova Friburgo


O esvaziamento de Nova Friburgo guarda histórias de quem tem pavor de ficar na cidade com maior número de mortos na calamidade que é registrada como um dos maiores desastres naturais do país.

Um exemplo é o desespero da estudante Deise Silveira para embarcar no ônibus para o Rio. Faltavam R$ 9 para sua passagem para a capital do Estado, e ela negociava com o motorista, argumentando que seus parentes no Rio de Janeiro pagariam o resto.


“Eles não aceitam pagamento pela internet, cartão ou cheque. Tudo está fora do ar. Só conto com a ajuda de meus familiares que estão esperando na rodoviária no Rio”, conta Deise. Para fugir do pânico na serra, ela vai ficar na casa de uma irmã de sua amiga Roberta Pinheiro.

No mesmo ônibus, viajou Beatriz Bueno. “Aqui não tem água, comida, luz e telefone. Vou para o Rio para ficar mais calma. Minha casa está ameaçada com tanto deslizamento”, relata a estudante. O pai foi se despedir da filha na única rodoviária que está habilitada na cidade. “Fico para olhar a casa. Se deixar vazia, os saqueadores levam tudo”, afirma Paulo Bueno.

Já o estudante carioca Victor Lima viveu o típico episódio das “férias frustradas”. Ele chegou à Nova Friburgo na última segunda-feira, com um sol radiante. Na terça-feira, o mundo caiu literalmente. “Depois da enxurrada, ficamos isolados em um sítio, vivendo só de macarrão. Só dois dias depois pudemos sair”, conta. Ele andou quatro quilômetros, carregando malas e ficou totalmente encharcado.

Como muitos outros turistas que vieram atrás das atrações da cidade (ar puro, paisagem, cachoeiras, biscoitos amanteigados, trutas defumadas e rodízio de fondue), Victor saiu correndo da roubada turística.

Moradora da cidade, Terezinha Garcia deixou Nova Friburgo porque se cansou de ligações de parentes pedindo para ela sair da cidade. “Tem parente do Rio e de Dubai falando para a gente sair. Decidi viajar. Vou para Rio das Ostras com um neto e deixar o outro para cuidar da casa”, disse Terezinha.

Os ônibus de Nova Friburgo em direção ao Rio saem a toda hora. A frota veio de Niterói, afinal, os que estavam na serra fluminense ou estão enlameados ou avariados.

Cotidiano