Carnaval de Salvador tem início tumultuado em meio a greves e paralisações

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

A cidade de Salvador está tendo um início de Carnaval conturbado por greves de policiais civis, guarda municipal, hoteleiros e trabalhadores da construção civil.

Os policiais civis anunciaram no final da manhã desta quinta-feira (3) uma paralisação em protesto pela morte de um agente civil durante confronto entre policiais de duas delegacias: Roubos e Furtos e Tóxicos e Entorpecentes. Valmir Borges Gomes, de 54, sepultado nesta tarde, era lotado na Delegacia de Furtos e Roubos. Os investigadores civis exigem a prisão e apresentação dos policiais acusados pelo crime, ocorrido na noite de quarta (2).

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) se posicionou contrária à decisão dos agentes civis e recorreu ainda nesta quinta-feira, à Justiça pedindo a ilegalidade do movimento, por entender que "se trata de uma ameaça de paralisação de serviço essencial à sociedade e que o movimento não atende aos requisitos legais". O delegado chefe da Civil, Hélio Jorge, apelou para o bom-senso da corporação.

O juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública, Ricardo D’Avila, deferiu a liminar impetrada pela PGE,  considerando que o motivo “é repetitivo, pois não é a primeira  vez  que o sindicato, as vésperas de festejos momescos, ensaia a paralisação da categoria dos policiais civis, atitude ensejadora de eventuais prejuízos à sociedade”. Com a medida, a categoria tem que voltar imediatamente os seus postos de trabalho.

Guardas, hoteleiros e construção civil

Os funcionários da rede hoteleira de Salvador também suspenderam as atividades em três grandes hotéis de Salvador pela manhã desta quinta, em protesto contra a falta de acordo nas negociações sobre reajuste do piso salarial da categoria para 2011.

Genivaldo Gomes, vice-presidente do sindicato que representa os grevistas, o Sindhotéis, disse que a decisão de parar estava aprovada desde o último dia 26, quando foi realizada uma assembleia da categoria.

Ele ressalta que após nove rodadas de negociações, não houve avanços com relação ao pleito apresentado pelo sindicato de 12,5% de aumento. “Os patrões insistem em oferecer 6,46%, mas este percentual nós não vamos aceitar”, garantiu. No Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador e Litoral Norte (SHRBS), a informação é de que o movimento é parcial e parte dos trabalhadores está em atividade.

O mesmo acontece na Guarda Municipal de Salvador. O Sindicato dos Servidores Públicos de Salvador informa que a guarda está paralisada desde a manhã da quarta-feira (2) e não atuará no Carnaval. Segundo Jeiel Soares, coordenador geral do sindicato, a greve foi deflagrada em razão de um descumprimento, por parte da prefeitura, com relação ao contingente e valor definidos para a folia baiana.

Ele explica que o acertado com o vice-prefeito, Edvaldo Brito, que coordena a organização da festa, era de um total de 737 guardas municipais atuando no carnaval, com remuneração de R$ 20 a hora trabalhada. “O prefeito João Henrique quebrou esse acordo e convocou apenas 200 guardas.

O papel deles na festa, segundo o sindicato é do apoio às ações da Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), controle do serviço ambulante, proteção do patrimônio público localizado nos circuitos da folia e dos portões por onde saem os trios elétricos para os desfiles, entre outras. O efetivo total de guardas municipais em Salvador é de 1350 homens.

A assessoria de imprensa da guarda informou através de nota que a Superintendência de Segurança Urbana e Prevenção à Violência – SUSPREV, tem 633 guardas atuando de forma intensa até o dia 9 de março, no Carnaval. "Nosso efetivo já está habituado a este tipo de evento. Estamos no terceiro carnaval, e durante todo o ano, os Guardas são inseridos em atividades diversas que os preparam melhor para grandes festas como o carnaval", diz a nota.

Na quarta-feira, a prefeitura anunciou um corte de cerca de 30% nos gastos com a estrutura da festa, com ênfase na contratação de pessoal para trabalhar na folia.

Os trabalhadores da construção civil também permanecem parados desde o dia 10 de fevereiro. Segundo o sindicato da categoria, as propostas apresentadas pelos patrões e gestores públicos não foi satisfatória e a greve continua até próxima rodada de negociações, após o carnaval.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Construção (Sintracom-BA), os trabalhadores começaram reivindicando reajuste salarial de 18,76% e reduziram para 15%. No entanto, eles já aceitam a proposta da mediação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de reajuste de 8% a partir de 1º de janeiro e mais 4% a partir de 1º de março, em um total de 12%. No entanto, os empresários  continuam oferecendo 6,47% de reajuste, além do pagamento dos trabalhadores pelos dias parados.

Os trabalhadores que atuam na montagem dos camarotes no principal circuito da folia, o Osmar, no Campo Grande, também participaram da assembleia, ontem, mas decidiram retornar ao trabalho para a abertura oficial da festa, hoje.

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