Genilson Araujo / Parceiro / Agência O Globo

Massacre em escola do Rio

Para irmã e ex-colegas, atirador era estranho, reservado e calado

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Pelos poucos depoimentos dados por parentes ou ex-colegas até agora, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, o atirador que invadiu a escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, é descrito sempre como sendo um rapaz calado, isolado ou “na dele”. Em ação na manhã desta quinta-feira (7) na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro,     ele matou 11 pessoas e feriu outras 13.

Oliveira era filho adotivo do casal Guido Bulgana Cubas de Oliveira e Diceia Menezes de Oliveira, que já morreu. O atirador tinha mais cinco irmãos e cresceu na rua Jequitinhonha, em Realengo, mesmo bairro da escola que foi palco do massacre.

Em entrevista à Band News, uma das irmãs de Oliveira, Roselane, de 49 anos, contou que o rapaz estava morando sozinho em Sepetiba. O último encontro que os dois tiveram foi em outubro do ano passado, durante as eleições.

Roselane disse que foi estranho ver o irmão com a barba crescida. “Ele não quis ficar com a gente. Eu o chamei para almoçar, mas ele não quis”, afirmou.

A irmã de criação do atirador também contou que Oliveira falava coisas sem sentido. “Ele não tinha amigos. Vivia no computador. Ele não era de sair. Era muito reservado”, disse.

Um ex-colega de colégio, que cursou a 7ª e 8ª séries com Oliveira na escola Tasso da Silveira, confirmou o perfil do atirador. Segundo Bruno Dantas, de 22 anos, o assassino era um sujeito “caladão, que não gostava de ficar com a galera”.

“A gente jogava bola no mesmo pátio que o governador e o prefeito deram a entrevista coletiva. Sempre chamávamos o Wellington, mas ele preferia ficar sentado em uma cisterna. Quando o sinal do fim do recreio tocava, ele subia correndo direto para a classe”, contou ao UOL Notícias.

Dantas ainda disse que Oliveira não era mau aluno, embora não fosse brilhante. “Ele era tão quieto que nem consigo me lembrar de muita coisa”, afirmou.

Segundo o ex-colega do atirador, Oliveira também não era vítima de bullying. “Ninguém mexia com ele ou provocava. A gente respeitava o jeitão dele”, contou.

Os dois nunca mais conversaram depois que saíram da escola. “Às vezes, eu o encontrava pelas ruas. Sempre sozinho”, relembrou.

Até agosto do ano passado, Oliveira trabalhou no almoxarifado de uma fábrica de alimentos, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Segundo um ex-colega de trabalho, que não quis se identificar, o atirador foi demitido por “baixa produtividade” depois de ficar dois anos e meio na empresa.

"Era uma pessoa extremamente tímida. Mesmo nos eventos sociais, ele mostrava distância, pouco interagia com os colegas, de uma forma meio autista mesmo", afirmou o funcionário à Folha.com.

Apesar do perfil caladão, antes do massacre Oliveira nunca havia dado indícios de que seria capaz de matar alguém. Segundo a chefe da Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, o atirador não tinha antecedentes criminais.

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