Genilson Araujo / Parceiro / Agência O Globo

Massacre em escola do Rio

Polícia vai buscar perfil psicológico de autor do massacre em hospitais psiquiátricos do Rio

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Os trabalhos da Polícia Civil do Rio de Janeiro em busca de um perfil psicológico de Wellington Menezes de Oliveira, 23, deverão passar pela pesquisa em hospitais psiquiátricos do Estado. O objetivo é detectar se e quando o autor do massacre na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (zona oeste), na manhã dessa quinta-feira (7), passou por algum tipo de tratamento. Ontem, depois de emocionar ao falar sobre os assassinatos durante evento em Brasília, a presidente Dilma Rousseff chorou também ao ligar para o ex-presidente Lula.

Tiroteio em escola do Rio de Janeiro
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A informação sobre os hospitais foi confirmada pelo chefe da Divisão de Homicídios do Rio, delegado Felipe Ettore, em entrevista na madrugada desta sexta-feira (8) ao Jornal da Globo. De acordo com o delegado, as conversas mantidas ontem durante o dia com parentes e pessoas do convívio de Oliveira apontaram que o atirador era uma “pessoa que tinha patologia mental”. Ettore destacou que a mãe biológica do rapaz seria esquizofrênica, conforme os relatos, mas não apontou como algo primordial, nas investigações, a localização dela pela polícia. As vítimas começaram a ser enterradas hoje de manhã.

Ao todo, ontem e hoje de madrugada, a Divisão de Homicídios ouviu um primo e a irmã de Oliveira, além de professores e o diretor da escola que foi palco da tragédia. Os policiais que foram chamados até o local, no  momento do ataque, também prestaram depoimento.

O filho do dono de uma das armas utilizadas pelo franco atirador disse à polícia que o revólver calibre 32 fora furtado em um sítio. O dono do revólver faleceu há 18 anos. A outra arma, um revólver calibre 38, estava com a numeração raspada e a polícia ainda não descobriu como o armamento chegou às mãos de Wellington.

Ainda não há depoimentos previstos para hoje. Os investigadores estão avaliando a real necessidade de ouvir os alunos que presenciaram o massacre, já que as vítimas encontram-se em debilitado estado psicológico. Talvez elas sejam poupadas.

Agentes voltaram à escola hoje para dar prosseguimento à perícia e esclarecer algumas dúvidas. A polícia não deu informações sobre o que foi encontrado na mochila que Wellington levou para a escola. Ontem, policiais também foram até as duas residências onde o assassino havia morado nos últimos meses --em Realengo e em Sepetiba. A casa de Sepetiba estava semi destruída e o computador do assassino foi encontrado queimado.

Perfil

Investigações preliminares indicam que Oliveira apresentava um comportamento estranho nos últimos meses, desde que a mãe adotiva morreu, no ano passado. O pai já havia morrido. De acordo com os relatos, o atirador era introvertido e gostava de passar longas horas em frente ao computador, navegando na internet.

Filho de mãe com problemas mentais que tentou o suicídio, Oliveira era o caçula de cinco filhos e foi adotado ainda criança. Tímido e retraído, segundo vizinhos, o atirador fazia poucas referências sobre a vida pessoal. Um dos relatos de conhecidos dele informa que Oliveira mudou a aparência nos últimos meses, passando a usar basicamente roupas pretas.

Na carta deixada por Oliveira, o atirador demonstra ter premeditado o crime, pois faz recomendações sobre como quer ser enterrado e o que deve ser feito com uma casa que deixou em Sepetiba, na zona oeste do Rio. Também pede perdão a Deus pelo ato que cometeu dando a entender que havia planejado detalhes da ação.

Ontem, policiais encontraram a casa de Oliveira, em Sepetiba, revirada com o computador e eletrodomésticos queimados. Para alguns policiais, o próprio atirador destruiu possíveis provas ou indícios que pudessem colaborar nas investigações. O último emprego de Oliveira foi como funcionário de uma fábrica de salsichas e ele pediu demissão no ano passado.

* Com informações de Daniel Milazzo, especial para o UOL Notícias no Rio de Janeiro, e da Agência Brasil

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