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Em sete vídeos, atirador de Realengo fala sobre bullying e preparativos para massacre

Daniel Milazzo<BR>Especial para o UOL Notícias<BR>No Rio de Janeiro

15/04/2011 19h01Atualizada em 15/04/2011 20h53

Veja vídeos divulgados nesta sexta-feira

A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro divulgou nesta sexta-feira (15) mais cinco vídeos com discursos de Wellington Menezes de Oliveira, o autor da chacina que matou 12 alunos da escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, no último dia 7. O material foi recuperado do disco rígido do computador que Oliveira usava. O equipamento foi encontrado queimado na casa onde o assassino morava, em Sepetiba, na zona oeste. Com isso, já são sete vídeos do atirador divulgados nesta semana.

A polícia também divulgou hoje fotos do atirador onde ele aparece com a barba grande e exibindo dois revólveres –um calibre 38 e outro calibre 32– que ele utilizaria em Realengo. Ele tira fotos com a arma apontada para a cabeça e para a câmera.

Nos vídeos divulgados pela secretaria, Oliveira diz que, na véspera da chacina, ele teria se hospedado no hotel Shelton, em Realengo, para se preparar. Nesse vídeo, Oliveira também narra uma experiência vivida por ele num ponto de ônibus, quando dois “caras grandes” começaram a fazer provocações para o “colocar pra baixo”, como “um meio de diversão”. “E, no final, esse tipo de pessoa ainda diz: ‘nada como rir da cara de um idiota’”, completa o relato.

A crítica ao bullying está presente quase em todas suas mensagens. “Que o ocorrido sirva de lição, principalmente às autoridades escolares, para que descruzem os braços diante de situações em que alunos são agredidos, humilhados, ridicularizados, desrespeitados”, alerta.

O assassino também fala que se as instituições de ensino tivessem “descruzado os braços e feito algo sério no combate a esse tipo de práticas”, o ataque não teria acontecido. Mas se nada for feito nesse sentido, Oliveira sentencia que “estarão forçando os demais irmãos a matarem e morrerem”.

Veja vídeos divulgado nesta sexta-feira

Em um dos vídeos, o atirador se confunde com as datas: diz no início do vídeo que o dia é 6 de outubro de 2011. “Eu fui fraco, fui medroso, mas me tornei um combatente, uma pessoa forte, corajosa, que tem como objetivo a defesa dos irmãos fracos”, diz ele noutro trecho.

Culpa e sepultamento

Em outros vídeos divulgados nesta sexta (15), Oliveira diz que não é ele o responsável pelas mortes que iriam acontecer. Para o assassino, embora fosse dele o dedo que puxaria o gatilho, os verdadeiros responsáveis pela matança são aqueles que ridicularizam, humilham, discriminam outras pessoas e se aproveitam da bondade dos mais fracos.

Oliveira também descreve em vídeo como desejava o próprio sepultamento, frisando que os “impuros” não poderiam lhe tocar sem usar luvas. O vídeo reproduz em imagem o que o atirador escreveu na carta que deixou. “Somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas. Nenhum fornicador ou adúltero poderá ter contato direto comigo”, avisa.

Ele pedia que seu corpo fosse despido, lavado, seco e envolto num lençol branco antes de ir para o caixão. Oliveira ainda pedia para ser sepultado ao lado de sua mãe e demandava “a visita de um fiel servidor de Deus pelo menos uma vez”.

Já em outro, o atirador faz apologia ao uso de explosivos e conclama seus "irmãos" –pessoas "humilhadas", que ele chama de "fiéis"– a se unir contra aqueles que cometem violência e discriminação, os chamados de "infiéis".

Outros dois vídeos foram divulgados durante esta semana; reveja

Outros vídeos

No último dia 12, o Jornal Nacional, da TV Globo, divulgou um vídeo em que Oliveira aparecia já de barba raspada. A data da gravação seria o dia 5 de abril, uma terça-feira, dois dias antes do massacre. “A luta pela qual muitos irmãos do passado morreram e eu morrerei não é exclusivamente pelo que é conhecido como bullying, mas contra pessoas cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade de pessoas incapazes de se defenderem”, diz ele sobre as supostas causas do massacre.

O assassino explica que tirou a barba para não chamar atenção nas vezes em que ele foi até a escola já com a intenção de planejar o ataque. No dia seguinte à divulgação, a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, disse que as imagens exibidas não faziam parte do inquérito da Divisão de Homicídios.

Já em outro vídeo divulgado pela polícia na quarta-feira (13), Oliveira novamente expressa rancor contra aqueles que o desrespeitam e, segundo ele, se aproveitam da sua bondade. O assassino avisa: “Descobrirão quem eu sou da maneira mais radical”. No vídeo, Oliveira argumenta que o ataque servirá para defender aqueles que “são humilhados por serem bons”, que não fazem parte do “grupo dos infiéis, dos desleais, dos falsos, dos corruptos, dos maus”.  

O arquivo foi recuperado de um disco rígido encontrado na casa do criminoso, em Sepetiba. O último acesso ao hardware ocorreu antes de julho do ano passado, segundo os investigadores.

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