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"O amor venceu", comemora presidente da associação GLBT

Arthur Guimarães<br>Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

05/05/2011 20h33

“O amor venceu”, disse entusiasmado o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, sobre a votação a respeito da união estável de homossexuais. A questão foi aprovada por unanimidade no Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta quinta-feira (5).

Segundo ele, foi uma “lavada”. “Oito a dois, sete a três... Esperávamos de tudo. Mas 10 a zero lavou a nossa alma”, afirmou ele. Vivendo junto com seu parceiro há 21 anos, a liderança GLBT afirmou que a decisão da Justiça fará o Congresso se movimentar. “Os parlamentares terão de se mexer. Foi a inércia do Congresso que fez com que acionássemos a Justiça. E vimos hoje que eles interpretaram muito bem o princípio da dignidade humana."

Para Reis, a sociedade brasileira só tem a ganhar com a decisão de hoje. “Ninguém perdeu”, disse ele, que promete, já amanhã, começar as discussões com seus advogados para aproveitar todos os novos benefícios. “Não vamos mais precisar gastar todo aquele dinheiro com advogado. Não preciso mais fazer inventário, ficar correndo com processo de adoção.”

Segundo ele, no entanto, este é apenas um primeiro passo para os homossexuais no país. “Ganhamos uma batalha, mas ainda não levamos a guerra. Agora vamos lutar para que o Congresso reconheça o casamento civil dos gays”, disse ele, antes de desligar o telefone com o UOL Notícias para comemorar a decisão com seus amigos, que estão todos em Brasília.

STF faz história

Em um julgamento histórico e por unanimidade, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira (5) reconhecer uniões estáveis de homossexuais no país. Os dez ministros presentes entenderam que casais gays devem desfrutar de direitos semelhantes aos de pares heterossexuais, como pensões, aposentadorias, inclusão em planos de saúde e outros benefícios.

Foram analisados dois pedidos no julgamento: um deles do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para que funcionários públicos homossexuais estendam benefícios a seus parceiros, e o outro da Procuradoria-Geral da República (PGR), para admitir casais gays como “entidade familiar”. A decisão do Supremo terá efeito vinculante, ou seja, será aplicada em outros tribunais para casos semelhantes.

Não votou apenas o ministro José Antônio Dias Tóffoli, que se declarou impedido de participar. Quando advogado-geral da União, ele ajudou a formular uma das ações que provocaram a inédita manifestação da mais alta corte do Brasil. O ministro Carlos Ayres Britto foi o relator, acompanhado pelos demais colegas para definir a vitória dos movimentos homossexuais.

Cotidiano