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Invasores de condomínios do "Minha Casa, Minha Vida" começam a ser retirados no Rio de Janeiro

Prefeitura do Rio desocupa apartamentos invadidos em Campo Grande - Jadson Marques / Agência O Globo
Prefeitura do Rio desocupa apartamentos invadidos em Campo Grande Imagem: Jadson Marques / Agência O Globo

Hanrrikson de Andrade

Especial para o UOL Notícias<br>No Rio de Janeiro

26/05/2011 20h17

As famílias que invadiram ilegalmente três condomínios construídos para o programa "Minha Casa, Minha Vida" em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, começaram a ser lentamente retiradas dos locais na manhã desta quinta-feira (26). Dos 143 apartamentos ocupados irregularmente em uma das unidades, apenas 20 foram liberados até o fim da tarde.

A operação está sendo feita pela Secretaria de Habitação do Rio de Janeiro, em conjunto com as polícias Militar (40º BPM) e Federal. Segundo a prefeitura, os invasores seguiram ordens do grupo miliciano Liga da Justiça.

Os agentes vistoriaram todas as casas do condomínio Ferrara a fim de checar os documentos dos respectivos moradores - o empreendimento possui, no total, 262 imóveis. A polícia não registrou por enquanto casos mais graves de tumulto, apenas protestos de alguns moradores que não querem deixar os apartamentos.

Eles amontoaram móveis e eletrodomésticos nas calçadas em sinal de resistência. Os que aceitaram pacificamente a determinação judicial de reintegração de posse podem transportar seus pertences em seis caminhões-baú disponibilizados pela prefeitura. Todas as fechaduras estão sendo trocadas, o que também desacelera o trabalho.

Caso não tenham para onde ir, os moradores ilegais serão transferidos para abrigos da prefeitura, se assim desejarem, sem violência. Os invasores poderão participar das próximas fases do programa "Minha Casa, Minha Vida", além de receber provisoriamente o aluguel social já a partir da próxima semana - R$ 400 mensais até que o beneficiado encontre um novo lar.

Os dois condomínios vizinhos - Treviso e Trene - passarão pelo mesmo processo. A prefeitura montou um estande em um complexo esportivo próximo aos condomínios para efetuar o cadastramento nos dois programas assistencialistas.

Os prédios foram construídos originalmente para o reassentamento de pessoas retiradas de áreas de risco e que ficaram desabrigadas em razão de tragédias climáticas. Segundo a prefeitura, milicianos da facção comandada pelo ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, invadiram os apartamentos em fevereiro deste ano. Os moradores ilegais foram notificados na última quarta-feira que deveriam deixar os apartamentos em um prazo de 24 horas -- a Justiça atendeu a um pedido da Caixa Econômica e autorizou a retomada dos imóveis.

O local funcionaria de acordo com os códigos estabelecidos pelas milícias do Rio, que cobram taxas por vários serviços clandestinos, entre os quais uma suposta segurança, a submissão de gás, a distribuição do sinal de TV por assinatura, entre outros.

Os moradores legalizados se sentem ameaçados e chegaram a enviar cartas anônimas pedindo ajuda para a imprensa. Segundo o secretário de Habitação do Rio de Janeiro, Jorge Bittar, o órgão municipal recebeu denúncias de que homens armados costumavam circular pela unidade habitacional.

A Liga da Justiça também é acusada de cobrar as famosas "taxas de segurança" em outros 11 conjuntos do programa "Minha Casa, Minha Vida", nos bairros Campo Grande, Cosme e Realengo, o que representa mais de 2.000 imóveis e aproximadamente 10 mil famílias. Além disso, há denúncias de que os milicianos estão vendendo os apartamentos por até R$ 40 mil por meio de uma empresa fantasma.

Domínio da zona oeste

A Liga da Justiça é o maior e mais conhecido grupo de milicianos do Rio de Janeiro. A facção paramilitar surgiu em 2007, em Cosmos, na zona oeste, e tem como símbolo o morcego do Batman, uma alusão ao apelido de um dos líderes da milícia, o ex-policial Ricardo Teixeira Cruz.
Atualmente, ele está preso na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

O criminoso foi preso há quatro anos em seu Ford Focus preto, na Via Lagos, poucas horas depois de ter tentado matar o sargento da PM Francisco César Silva Oliveira, o Chico Bala, em Cabo Frio, na região dos lagos. No carro também estavam o ex-PM José Carlos da Silva, expulso da polícia em 1999, o cabo Wellington Vaz de Oliveira e o policial civil André Luiz da Silva Malva, do Instituto Félix Pacheco.

Segundo a polícia, a Liga da Justiça fatura mensalmente cerca de R$ 2 milhões com a cobrança de serviços clandestinos.

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