"Ou nos tiram daqui ou o mar faz isso", dizem moradores de áreas invadidas pelo mar no Ceará

Kamila Fernandes

Especial para o UOL Notícias
Em Fortaleza

"Vamos ter de sair daqui. Ou a prefeitura nos tira ou o mar. Parece inevitável." Essa é a conclusão de Eunice Sampaio, há 11 anos gerente de uma barraca de praia na avenida litorânea do Icaraí, na região metropolitana de Fortaleza, uma das praias mais atingidas pelo avanço do mar no Ceará.

A barraca onde ela trabalha foi destruída pela metade. E a situação só não está pior porque a prefeitura de Caucaia, responsável pela localidade, começou a despejar pedras para a contenção das ondas nos períodos de maré alta. O que, nem assim, afastou o medo de mais destruição.

"Depois que colocaram as pedras, o mar já subiu até o outro lado da avenida, aqui no meio da minha perna. Aqui é alto, mas o mar chega com muita violência, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro. Não dá mais para ficar aqui."

O Icaraí já foi o principal destino do fortalezense nos finais de semana, por ser perto da capital. Agora, porém, o local está sempre vazio, com boa parte de suas barracas de praia destruída e com muitas residências à venda.

Segundo Maria Inês Oliveira, moradora do local há 40 anos, essas mudanças começaram a acontecer com mais intensidade recentemente, há cinco, seis anos.

Coincidiram, diz a moradora, com duas obras: a construção do Porto do Pecém, a oeste, e o aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza, a leste. "Nesses dois locais o mar foi contido e, como não tinha mais para onde ir, veio para cá. A natureza parece que sempre responde à ação do homem", disse.

A contenção do mar no Icaraí inclui também a instalação de blocos de areia condensados, formando uma espécie de escada, além das grandes pedras nos locais onde há mais destruição.

Como as ondas chegam violentas, algumas dessas rochas acabam sendo arrastadas para dentro do mar, o que torna o banho perigoso. Ainda assim, alguns surfistas se arriscam.

Já a retirada das barracas também está prevista pela prefeitura. Elas devem ficar do outro lado da avenida litorânea, a menos 100 metros. Para Eunice, solução que não deve ser a definitiva.

"Na última cheia, a água já chegou lá. E, pelo ritmo que está avançando, essa mudança não deve surtir muito efeito", disse. "Como eu queria que voltassem os bons tempos de barraca cheia, praia lotada. Mas acho que não vai ter volta, não."

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