Cabral sanciona reajuste salarial e anistia de bombeiros no Rio de Janeiro

Do UOL Notícias*

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O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), sancionou nesta quarta-feira (29) a anistia administrativa aos bombeiros que invadiram, no começo de junho, o quartel central da corporação durante os protestos por melhorias salariais e também o reajuste à categoria. Os dois projetos foram aprovados ontem na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). Cabral anunciou a sanção no microblog Twitter.

Ontem, os deputados aprovaram a anistia administrativa aos mais de 400 bombeiros que ficaram presos devido à invasão. Já a anistia criminal ainda está em discussão na Câmara dos Deputados. Os 439 agentes foram autuados em quatro artigos do Código Penal Militar e respondem em liberdade por motim, dano a viatura, dano a instalações e por impedir e dificultar saída para socorro e salvamento.

A Alerj aprovou também o reajuste proposto pelo governo estadual. A proposta antecipa para julho o reajuste de 5,58% que seria concedido até dezembro e vai beneficiar também policiais civis, policiais militares e inspetores de segurança.

Dezenas de bombeiros e familiares acompanharam a sessão na Alerj e comemoram a anistia, embora não tenham saído completamente satisfeitos. O segundo sargento Silas de Aguiar ressalta que a anistia é uma vitória parcial. "A luta continua. Esse reajuste aprovado hoje significa só R$ 70 a mais. Sem contar o trauma psicológico de todos os companheiros que ficaram presos, o que ainda não passou", afirmou o bombeiro.

O reajuste está muito aquém das reivindicações da categoria, que pleiteia um aumento do piso salarial dos atuais R$ 950 para R$ 2.000, além de vale-transporte. Mas, com a anistia, a categoria afirma que está aberta a negociações com o governo.

"A gente só queria ser ouvido", dizem bombeiros em Brasília

Também foi aprovada nesta terça-feira a mudança no uso do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (Funesbom). A partir de agora, 30% dele será usado exclusivamente para o pagamento de gratificações aos bombeiros. O Funesbom, recolhido a partir da taxa de incêndio paga pela população fluminense, reuniu R$ 110 milhões em 2010. As duas propostas que passaram hoje pela Alerj foram aprovadas sem nenhuma emenda, isto é, exatamente como fora apresentada pelo Executivo estadual.

"Vândalos"

Hoje, em entrevista à rádio CBN, Cabral classificou como “erro” ter chamado de "vândalos" os bombeiros que invadiram o quartel central.

“Os dois lados erraram: por falta nossa de diálogo com o movimento, do movimento, que errou ao radicalizar e entrar no quartel central, e eu também errei quando os chamei de vândalos”, disse.

Para Cabral, a anistia é uma espécie de “mea-culpa” dele em relação à corporação, a qual chamou de “muito querida” da população. Após a prisão dos bombeiros, milhares de pessoas foram às ruas do Rio em solidariedade aos presos; muitos eram funcionários de outros setores do funcionalismo público estadual.

*Com informações de Daniel Milazzo, no Rio de Janeiro

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