Família diz não saber total arrecadado em campanha pró-leão Ariel na internet; dinheiro vai para instituto da dona do animal

Janaina Garcia
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A morte do leão Ariel na tarde dessa quarta-feira (27), em São Paulo, não encerra apenas a agonia do animal que estava em tratamento por conta de uma doença degenerativa. Segundo a dona do felino, Raquel Borges, 39, também chega ao fim a campanha de arrecadação de fundos promovida na internet para ajudar o bicho. Até ontem à tarde, porém, Raquel dizia não saber quanto havia sido arrecadado em pouco mais de dois meses de iniciativa --mas ela garantiu que a soma será destinada ao “Instituto e Abrigo de Animais Emanuel”, que ela preside, destinado a animais vítimas de maus tratos.

Indagada pela reportagem do UOL Notícias sobre quantos animais são cuidados pelo instituto, Raquel resumiu: “Não há nenhum animal em tratamento lá --mas teremos tudo à disposição para que possamos ajudar outros animais quando nos for solicitado. Todo o estoque de medicamentos que sobrou do Ariel, por exemplo, vai ajudar esses outros bichos”, disse.

No último dia 6, também em entrevista ao UOL, Raquel havia explicado que o instituto, aberto ano passado, auxiliaria a família na captação de doações em dinheiro a fim de ajudar no tratamento de animais dos quais eles cuidam em uma chácara. "É onde fica o nosso mantenedouro. Tenho onze tigres e dois leões, um casal de leões --a mãe, a Menina, e o Ariel. Nós os mantemos, temos uma empresa, mas tiramos da empresa para mantê-los", afirmou, à época. O instituto, argumentou Raquel, auxiliaria a manter os animais "bem alimentados, enfim, todas as necessidades deles". "Até então nós éramos sozinhos, sangrávamos a nossa empresa para dar tudo que eles precisavam. Às vezes passamos necessidade, mas ele [Ariel] não", declarara.

De acordo com Raquel, que é cantora gospel em Maringá (PR) --onde a família vive e onde Ariel viveu antes do tratamento na capital paulista --, boa parte das doações de internautas foram medicamentos, “especialmente antibióticos dos mais caros”, frisou, além de talcos e shampoos.

“A campanha cessa a partir de hoje (ontem), não vamos mais pedir ajuda. Mas tudo o que foi arrecadado vai ajudar outros gatos, cachorros e outros animais que precisarem”, destacou. Sobre o valor arrecado, completou: “Vou ver com meu contador, que fica em Maringá; não sei agora de pronto quanto foi. Mas as pessoas ajudaram muito mais em produtos que em dinheiro”, salientou, em entrevista por telefone quando ainda estava em São Paulo.

No telefone da família na cidade paranaense, outra pessoa que atendeu o telefonema da reportagem informou, com a voz ainda embargada, que a morte de Ariel era um “momento difícil”. Ao ser questionada sobre os fundos arrecadados, a explicação rápida foi a seguinte: “Ele [o leão] vai ter que passar por autópsia, né? Acho que isso vai pagar a autópsia”. Já Raquel disse não ter detalhes sobre procedimento da necropsia. Mas citou que, em apenas um mês, o tratamento de Ariel chegou a custar R$ 18 mil.

Leão passou por cirurgia e tratamento em São Paulo

Na comunidade “Ajuda ao leão Ariel” no Facebook, até ontem à noite, no link de informações, constavam os dados de uma conta bancária válida para "depósito imediato” em nome do instituto --em inglês e português --, mais dois endereços para entrega de doações, em São Paulo, nos bairros do Brooklin e de Higienópolis.

Repercussão

No Twitter e no Facebook, orações, palavras de agradecimento pelo “exemplo” de luta pela vida e de enaltecimento da “capacidade do ser humano em amar”, além de muitos desejos de força à “família”, foram alguns dos milhares de tópicos abordados relacionados à morte do leão.

O assunto chegou ao ranking dos mais citados do Twitter, com a expressão “Leão Ariel”, usada pelos usuários em mensagens que misturavam incredulidade, tristeza e conforto às pessoas que cuidaram do animal.

Em uma das postagens, uma internauta escreveu: “Me abalei mais com a morte do leão Ariel do que com a da [cantora inglesa] Amy [Winehouse, morta sábado passado]”.

Em um perfil que coleta “notícias de direitos animais”, um lamento: “Triste destino do leão Ariel. Nasceu em cativeiro, viveu confinado os poucos e sofridos anos. Nunca soube o que era ser um leão de verdade”.

No Facebook, a página “Ajuda ao leão Ariel” --com quase 64 mil seguidores até ontem à noite --foi o espaço onde os paranaenses que cuidavam do leão usaram para postar a “nota de falecimento”, às 14h35.

“Nota de falecimento! Queridos amigos... nosso querido Ariel faleceu hoje às 1h30. Mas meus queridos, ele estará para sempre em nossos corações. A todos meu carinho e respeito pelas vossas dores”, diz o comentário.

Em seguida, mensagens consternadas pela morte do animal começaram a se multiplicar no perfil --que, até instantes antes da morte de Ariel, ainda recebia candidatos a doar dinheiro ao tratamento do leão.

“Ele veio pra provar que existe esperança por nós mesmos, seres humanos. Somos capazes de amar”, destacou uma internauta.

Em outra mensagem, um jovem sugeriu: “Vamos decretar luto oficial de 3 dias pela morte de um guerreiro Rei da selva ! :(”.

Entre expressões como “gatão”, “lindão”, “guerreiro”, “embaixador na união mundial” e outro termo, Ariel também tem destino certo, na opinião dos internautas: “Oww lindão, vai brilhar lá com todos os outros anjinhos, vai correr lá no céu dos animais e brincar com seus amiguinhos!!”, seguida de outra mensagem, na mesma linha: “Uma vez ouvi que existe céu dos cachorros....deve existir céu do leões...e ele já deve ter achado o lugarzinho dele e tá pulando, pulando, como ele fazia aqui....#lágrimasnosolhosenoco?ração#”. Para outro usuário, “ele está ao lado de São Francisco”.

A saga

Ariel, que ficou conhecido no país devido à luta de seus criadores para que ele voltasse a se movimentar, morreu por volta de 13h30.

Impedido de andar devido a uma doença degenerativa, Ariel estava com dificuldades para se alimentar e respirar. O animal foi submetido a um tratamento inédito para tentar restaurar os movimentos das patas.

O leão tinha três anos de idade e apresentou os primeiros problemas de locomoção em julho do ano passado. Ele não conseguia ficar de pé e precisava de ajuda para se movimentar e ser tratado.

Ele foi então transferido para São Paulo neste mês para passar por um tratamento inédito, nunca feito em animais, conhecido como plasmaférese --que consiste na remoção das células sanguíneas que causam a degeneração dos movimentos. Ele estava recebendo doações de plasma sanguíneo de outros leões.

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